Projeto Doulas Comunitárias completa 13 anos

sexta-feira, 23 de julho de 2010 as 22:12

O Projeto Doulas Comunitárias do Hospital Sofia Feldman completa neste mês 13 anos. A comemoração aconteceu ontem na reunião mensal de Doulas. O Dr. Ivo de Oliveira Lopes, diretor administrativo do Sofia, falou a elas: “Eu aprendi uma coisa na vida: Para crescermos como seres humanos, temos que aprender a largar as diferenças de lado, quaisquer que sejam elas, e dar a mão ao outro. Ninguém melhor do que vocês que dão as mãos a uma outra pessoa, uma outra mulher, em um momento muito importante da vida, para me fazer aprender. Isto é a essência do que vocês me ensinaram”.

Ivo lembrou ainda que a atuação da Doula no Sofia é anterior a criação da Associação Comunitária de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman – ACAU/HSF,  parceira do Hospital no Projeto. “A pessoa que me mostrou que a questão da Doula era viável foi a Aparecida. Todo dia, a gente trabalhando aqui e ela vinha conversando, falando, muito antes da ACAU/HSF existir. Eu não entendia a mania que a Aparecida tinha de ficar aqui sempre acompanhando esse tanto de mulher.” E aproveitou a lembrança para homenagear a Doula Maria Aparecida, a mais antiga Doula do Hospital, e todas as Doulas, que como a Aparecida, doam um pouco da vida delas para apoiar as gestantes que são recebidas no Sofia. “Na figura da Aparecida, eu quero dar os parabéns a todas vocês.”

Aparecida, agradecida e feliz pela lembrança, contou que vinha ao Sofia todos os dias porque as gestantes iam a casa dela lhe pedir que as acompanhasse durante o parto. “Cheguei a trazer, em um só dia, três parturientes. E acompanhei os três partos. Daí o Dr. Ivo falar que eu era a mulher que mais tinha parente que paria no mundo”. Aparecida teve oito filhos, em todos os partos ficou sozinha. “É terrível ficar sozinha nessa hora. E poder ficar ao lado delas dando o que eu não tive é maravilhoso. A gente dá amor, a gente recebe amor. A gente dá carinho, recebe carinho. Então, é gratificante ver uma criança vir ao mundo e a felicidade estampada no rosto da mãe. Pra gente é pouco o que fazemos, pra elas, elas consideram muito”.

Em uma sociedade que parece ter esquecido a importância de se dar a mão ao outro, histórias como essa não devem ser esquecidas. A coordenadora técnica do Projeto, Júlia Amaral Horta, concorda e acrescenta: “Elas resgatam valores que foram perdidos pela sociedade, como a aliança social que elas estabelecem com as gestantes, a doação, o amor. A maior homenagem é lembrar o que elas representam. E valorizar todo esse ensinamento. As Doulas são muito especiais.”.

O Projeto Doulas Comunitárias ultrapassou os limites do Sofia, tornou-se uma política pública de saúde do município de Belo Horizonte. “Esse ato de dar as mãos uns para os outros já saiu do Hospital Sofia Feldman, isso não pertence mais ao Sofia Feldman, pertence ao município de Belo Horizonte”, afirmou Ivo Lopes.