Saúde na Estrada chega ao Sofia

quarta-feira, 22 de maio de 2013 as 14:30

Uma equipe do programa Saúde na Estrada, do canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, esteve no Sofia fazendo uma reportagem sobre as boas práticas na assistência humanizada ao parto e nascimento. Passaram dois dias, 13 e 14 de maio. Falaram com gestores, profissionais e usuários. Filmaram o parto de Gabriela Santos Teixeira no Centro de Parto Normal Helena Greco, onde deu a luz a Ian, ao lado do marido Adrieu Dias, da mãe, da irmã e de Dona Antônia, doula comunitária. O casal optou por ter seu filho no SUS mesmo tendo plano de saúde. A equipe acompanhou Gabriela desde às 9h da manhã, quando recebia escalda-pés, massagem e auriculoterapia no Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares até o nascimento às 18h30. Ficaram impressionados com a assistência oferecida pelo Sofia.

Fiquei encantado com todo carinho e cuidado que os profissionais têm com as mães. Apesar da preocupação no momento do parto, as mães têm serenidade no olhar, tranquilidade e alegria. Sentem que estão bem amparadas pelo Hospital Sofia Feldman”, declarou o repórter João Paulo Soldadi. O cinegrafista, Rafael Blasi, o único a ficar no quarto, de plantão o dia todo esperando o momento do parto, chorou ao ver Ian nascer e concordou com João Paulo: “O hospital é único em todos os sentidos. É emocionante. Sobre a estrutura, nada visto antes. O nascimento transcorre com toda naturalidade que o parto tem que ter e com todo o suporte que o cidadão tem direito. Me senti um pouco parte do acontecimento. Isto só foi possível porque o parto foi tratado como algo fisiológico, natural, pude ficar no quarto e não fui considerado algo como altamente contaminador. O Sofia é algo inovador, algo que as mães merecem, algo que ensina para o governo, para os planos de saúde. O Sofia nesta hora faz o papel dele”.

A comunidade esteve presente.  Voluntários do Conselho Local de Saúde e da ACAU/HSF – Associação de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman, se reuniram e passaram um vídeo sobre a luta da comunidade pelo direito à saúde, pelo respeito ao usuário e pelo SUS. Dr. Ivo Lopes, diretor administrativo, declarou: “Não fomos nós que incluímos a comunidade, ela é que nos aceitou”.

A Filosofia do SUS

O repórter, João Paulo, comentou que, mesmo o hospital assistindo a mais de 20 partos por dia, não viu gente correndo pelos corredores, mas agilidade e otimização do atendimento. “Não vi desorganização. Toda a equipe profissional calma, tranquila”. Dr. Ivo explicou que o trabalho é executado por uma equipe multiprofissional, “em especial as enfermeiras que agilizam o atendimento. Na questão cuidado são mais ágeis e têm capacidade para assistir partos como os médicos. Atualmente, a sua atuação está normatizada pelo SUS”. Maurício Maia, assistente de câmera, pai de uma filha e de dois enteados, disse que mudou totalmente o seu ponto de vista sobre assistência: “Eu conhecia a figura do médico como a pessoa mais importante. Fiquei surpreso, pois aqui, vi que o médico  atende a emergências e quem assiste aos partos são as enfermeiras obstetras”.

O pai do Ian, Adrieu Dias, acompanhou Gabriela durante todo o trabalho de parto. Contou que Ian nasceu com 3.545kg e 49 cm: “Achei muito bom o atendimento, fui muito bem recebido, pessoas muito dispostas. O Hospital oferece uma estrutura boa para o parto, o que ajudou a diminuir o stress. A assistência por enfermeira obstetra foi uma surpresa. É um diferencial muito grande!” Especializado em gestão hospitalar, declarou-se um entusiasta do SUS’: Em outro países não se oferece cobertura tão ampla como no Brasil, nem distribuem remédios gratuitos. Tem acesso a atendimento pelo  plano de saúde apenas pessoas carentes.  A filosofia do SUS e muito bonita. O problema no SUS é a corrupção, profissionais que batem ponto e não vão trabalhar, sugando o SUS”.

Volta ao simples

Gabriela falou sobre seu parto para a equipe no alojamento conjunto, onde foi acolhida ao lado de outras mães depois do parto. “Pesquisei muito durante a gravidez e mesmo tendo plano de saúde, escolhi ter meu filho aqui. Tive um tratamento especial, fui acompanhada por pessoas especiais. Os planos de saúde não oferecem atendimento personalizado. Os hospitais privados não atendem às minhas vontades. Foi ótimo ter minha irmã e mãe por perto. A presença da doula Dona Antônia foi muito boa, ficava fazendo massagens para me acalmar e fazia até a dor da contração parar. Tudo foi importante, a mão na hora de fazer força, as palavras que a gente precisa ouvir. O apoio faz toda diferença. Esta é a grande diferença do Sofia”. Dona Antônia Ferreira Gomes, voluntária da ACAU-HSF era só elogios para Gabriela: “A mãe foi muito corajosa, cooperativa. Parecia que não era o primeiro filho. Manteve a tranquilidade durante todo o trabalho de parto”.

O diretor da equipe, Marco Antônio Campos, achou  “a experiência muito boa, poder mostrar o lado positivo dos planos de saúde do governo. Percebi que é uma questão mais de gestão. Depende muito mais do humano, das pessoas envolvidas. A tecnologia de ponta é importante, mas o profissional bem preparado e que gosta do que faz, tem condições de trabalhar e fazer o melhor. O Sofia oferece uma assistência humanizada. É um caminho sem volta, deveria ser cada vez mais buscado, investir nas pessoas. É uma volta ao simples, ao antigo, ao mais básico”.