Projetos para o futuro

quarta-feira, 10 de julho de 2013 as 15:33

Profissionais da Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal, da Santa Casa de Campo Grande/MS e do Hospital Madre Teresa/MG participaram de visita técnica ao Hospital Sofia Feldman: “recebemos incentivo do Ministério da Saúde para conhecermos a realidade do Sofia, o `modus operandi` deste hospital, considerado referência em humanização da assistência”, explicou a obstetra Fátima Pinheiro, integrante da equipe. “O Sofia é, hoje, o que esperamos que o Distrito Federal seja daqui a alguns anos. Lá, o serviço é bem avaliado por 70% dos usuários, mas é de difícil acesso”.

O Distrito Federal tem uma média de 40 a 42% de cesáreas, diferente somente no Hospital Geral de Samambaia, que atende a baixo risco e apresenta um índice de 25%. A obstetra Valderez Aguillon trabalha no Centro de Saúde nº 4, da Cidade Estrutural e acredita que é necessária a mudança, mas “exige uma incorporação de comportamentos, uma assistência focada na atenção ao usuário e atendimento humanizado. Temos que perceber a demanda do usuário. A partir daí, ajustar a assistência. Vi aqui pouca intervenção e um parto mais fisiológico. Achei interessante o envolvimento da família, que dá uma grande segurança para a mulher. Estas mudanças não ocorrem rápido, têm resistências, vão acontecendo a médio e longo prazos. É o futuro”, opinou.

Dra. Fátima Ribeiro explicou que a Rede Cegonha está organizada com comitê central e regiões de saúde. A ideia é vir ao Sofia e depois propagar o que vimos de diferente. Vamos apresentar os resultados no colegiado de maternidades, que se reúne a cada 15 dias. Segundo a obstetra Ana Paula Lino: “a nossa realidade é muito diferente. Todas as maternidades são de gestão governamental. Lá, é principalmente o médico quem assiste os partos, a enfermeira não é envolvida no trabalho de parto. Acho as propostas muito interessantes, mas acredito que não é uma mudança para curto prazo”.

Cuidar do trabalhador

Um olhar diferenciado para o usuário e o trabalhador. Foi o que vieram buscar duas profissionais do Hospital Madre Tereza, de Belo Horizonte: Mariana Leite de Oliveira, enfermeira do trabalho e Cristina Aparecida Corrêa, assistente social. Elas se juntaram à equipe de profissionais do Distrito Federal e Mato Grosso do Sul na visita às dependências do Hospital Sofia Feldman: “tomamos conhecimento do Sofia e suas  práticas de humanização para o trabalhador e o usuário através da Irmã Ana Rita, que foi acadêmica de enfermagem aqui na instituição. Queremos ampliar as nossas ações e adotar o que se pode adequar”.

A equipe do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT, do Sofia recebeu as profissionais do Hospital Madre Tereza. A enfermeira do trabalho, Brenda Reis, contou que elas pediram referência sobre como cuidar da qualidade de vida dentro da empresa, as medidas preventivas e como fazer as abordagens para palestras e treinamentos. “Expliquei que a Academia do Programa Sofia em Forma e a ginástica laboral, juntamente com o Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares e o Projeto Saúde do Trabalhador ajudam a diminuir o absenteísmo”. As profissionais consideraram baixo o número de trabalhadores faltantes no Sofia – 150 por mês num universo de 1.104 funcionários, enquanto no Madre Tereza, são 300/mês em 1.430 funcionários. Segundo elas, enquanto o Sofia trabalha com enfermeiros, eles trabalham com técnicos em enfermagem que, normalmente, têm mais de um emprego, o que lhes acarreta maior stress.

Elas saíram com algumas ideias. Para os usuários: visitas ampliadas e altas programadas, preparando o paciente para ser desospitalizado. “Já contamos com um grupo de apoio terapêutico multiprofissional (psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e nutricionistas), que dá todo apoio psicológico e social. Temos a Pastoral da Saúde, que oferece apoio espiritual, independente da denominação religiosa”, informou Mariana Oliveira. Para o trabalhador: “contamos com ginástica laboral e terapias alternativas – massagens e Fitoterapia. Queremos levar o escalda-pés, a academia no horário do trabalho e a creche para nossas trabalhadoras. Também pensamos em agregar voluntários da comunidade para trabalharem no hospital”.

O Hospital Madre Tereza é uma instituição filantrópica, pertencente ao Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, congregação brasileira que possui outros hospitais, asilos e creches. Foi inaugurado, em 1948, como sanatório para tuberculosos há 30 anos funciona como hospital geral. Atende convênios e ao SUS, via Central de Leitos.

A assistente social, Cristina Corrêa ficou impressionada com a tranquilidade do ambiente no Sofia: “não parece que estamos em uma maternidade. Vemos que tem muita gente, mas o clima é tranquilo. Ambiente acolhedor e familiar. Os profissionais transmitem calma e segurança. A proximidade da mãe com a criança proporciona resultados. Todas as mães que conversamos disseram que se sentem acolhidas”.

Acrescentou: “Gostei de uma frase do Dr. Ivo: Dar a luz é um ato da mulher, não do médico”.