Ministério da Saúde avalia Rede Cegonha

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017 as 12:55

Como está funcionando o Programa Rede Cegonha nas maternidades brasileiras? Com o objetivo de avaliar as maternidades quanto às diretrizes do Programa, o Ministério da Saúde trouxe ao Hospital Sofia Feldman os pesquisadores encarregados de avaliar a assistência em Belo Horizonte e Minas Gerais. Durante três dias – 19, 20 e 21 de janeiro –  os 9 avaliadores, em visita, fizeram um roteiro de análise documental e a observação de ambientes de parto e neonatal.

Objetivo? “Fazer uma avaliação construtiva e não punitiva”. A afirmação é da psicóloga Maria Leonardi Baldissorotto, da ENSP – Escola Nacional de São Paulo/FIOCRUZ, encarregada de coordenar a avaliação do Programa Rede cegonha para o Ministério da Saúde das macro regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste,  em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e o COSEMS/MG, sob a coordenação de Maria do Carmo Leal e Silvana Granado. No Norte e Nordeste, fica responsável a Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Avaliando o quê?

Segundo Maria Leonardi, “estamos avaliando uma série de diretrizes que compõem a Política de Humanização do parto no Brasil. Avaliamos se a maternidade está aderindo às boas práticas no parto, se está respeitando o direito a um acompanhante no trabalho de parto, se utilizam os métodos não farmacológicos de alívio à dor e o uso seletivo, e só quando necessário, da episiotomia e ocitocina.” Para esta análise, a equipe, formada por 8 enfermeiros e enfermeiras obstetras e a supervisora fazem uma análise documental, observando os prontuários e se há vigilância quanto aos índices de cesárea, episiotomia, etc. Também entrevistaram puérperas, trabalhadores e gestores.

Os pesquisadores, além da avaliação, também estão sendo treinados no Sofia para o trabalho a ser realizado. Por que o Sofia? “Porque é um hospital de excelência e referência na assistência humanizada ao parto e nascimento. Daqui, iremos para as maternidades SUS BH e, depois, para o interior do Minas, onde avaliaremos cerca de 45 maternidades”, informou a supervisora.

“O que se quer é que seja um processo indutivo de mudança, avaliar para que os serviços se sintam motivados a mudar e se sintam instigados a avaliar as práticas. Com esta avaliação queremos mostrar que o Programa Rede Cegonha evoluiu e deve ser mantido e aprimorado. É uma política pública que está alterando os índices, como o da mortalidade materna e infantil, melhorando a qualidade dos serviços, diminuindo a violência obstétrica e aumentando as boas práticas no parto e nascimento”, enfatizou a supervisora. “Temos que ser um ponto de resistência, continuar lutando, manter tudo o que foi conquistado. Muito já foi feito, mas temos ainda muito o que fazer”.

Para a psicóloga, “o Sofia é uma pérola rara na assistência, não só pela qualidade dos serviços, mas pela visão dos trabalhadores; eles têm amor ao Hospital e vestem a camisa. É um honra para nós fazer este treinamento aqui dentro”.