A África no Sofia

terça-feira, 7 de março de 2017 as 11:19

Profissionais de Angola e Moçambique foram recepcionados no Hospital Sofia Feldman para o ‘Curso Internacional de Atenção Humanizada à Mulher e ao Recém-nascido’, na modalidade de treinamento para os terceiros países. A solenidade aconteceu no Auditório Sabiá na manhã de ontem, dia 6 de março. Eles chegaram ao Hospital para vivenciar o modelo de assistência humanizada à mulher, criança e família praticado na instituição e   o reproduzir nos seus países de origem. Ficam até dia 24 de março.  O intercâmbio é promovido em parceria entre a Agência Brasileira de Cooperação – ABC/MRE e a Agência de Cooperação do Japão 0 – JICA. No início, foram ouvidos os hinos nacionais de Angola, Moçambique, Brasil e Japão. As crianças da Turma Arara Azul, da Creche José de Souza Sobrinho, cantaram, dançaram balé em homenagem aos visitantes e distribuíram bandeirinhas dos países.

Desde o início da parceria, aconteceram 5 cursos, onde foram capacitados 81 profissionais de 15 países. Do Sofia, 15 profissionais já foram ao Japão, Madagascar e Camboja, financiados pela agência japonesa. Nesta edição, depois de uma visita dos profissionais do Sofia e integrantes da ABC e JICA à África, ficou decidido focar na assistência de Angola e Moçambique. Nas outras, vieram pessoas do Caribe e América Latina. Dezesseis mulheres, entre gestoras e profissionais da área de Obstetrícia, participam do Curso, que tem duração de três semanas. A partir deste Curso, outros quatro serão realizados, entre 2016 e 2020.

Um retorno sustentável

“Foi uma abertura de horizontes para as primeiras turmas, mas percebemos que focar em muitos países pulverizava;  eles voltavam sem governabilidade e poder de mudança. Decidimos remodelar o formato do curso. A expectativa é maior e a responsabilidade dos profissionais aumenta. Esperamos que seja uma experiência bem sucedida”, declarou a coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa, Dra. Lélia Maria Madeira.

Christiane Hatano, da JICA Brasil, confirma as suas palavras: “Em 2015 começamos a reformular a programação para que, ao voltarem aos países de origem, tivessem mais representatividade. Em visita, vi que a área materno-infantil é prioridade por lá. Esperamos que eles consigam aplicar os ensinamentos em seu dia a dia.”

Exemplo de Cidadania

A mesa foi aberta pelo presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde – FAIS, mantenedora do Hospital Sofia Feldman, Sr. José Moreira Sobrinho; Dra. Lélia Maria Madeira, coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa; Maria do Rozário de Fátima Sampaio, do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN; Ana Renata Moura Rabelo, da Secretaria de Estado da Saúde – SES; Christiane Hatano, da JICA Brasil, André Gustavo Perdigão de Barros e Paulo Wangner Miranda, da Agência Brasileira de Cooperação/Ministério das Relações Exteriores.

“O Sofia já atravessou o oceano e tem seus tentáculos na África, onde profissionais levaram nosso conhecimento”, disse Sr. José Moreira Sobrinho, ao dar as boas-vindas aos africanos. ‘Com esta ação, o Japão dá um exemplo de cidadania para o mundo. Parabenizo também a agência brasileira, essencial para a realização deste intercâmbio”.

Estavam presentes no auditório: Gislene Gonçalves dos Reis, do Conselho Estadual de Saúde, Ernani Vicente de Souza, do Conselho Regional de Enfermagem de MG, Torcata Amorin, da Escola de Enfermagem da UFMG e Yukari Hamada, do Consulado Honorário do Japão em Belo Horizonte.

Um modelo acertado

Ana Renata Rabelo é representante da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. “Entendemos que a assistência humanizada é um princípio do SUS. Me orgulho de ter o Sofia no estado de Minas Gerais, com um Hospital Escola consolidado. Acreditamos no potencial deste curso. A mudança tem que começar dentro. Espero que provoquem mudanças em seus países e levem dignidade e respeito às mulheres e crianças”.

Maria do Rozário Sampaio, do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN, conhecia o Sofia por meio de vídeos, reportagens e de informações de sua filha que fez estágio no Hospital. “Eu viajo todo o Brasil e quero dizer do respeito que esta instituição tem em todo o Brasil. É uma referência, um modelo que se projeta para fora do país, um modelo que assiste com qualidade e responsabilidade, focando no direito da população a ter uma saúde de qualidade. Apesar de tantos tentando desconstruir, este modelo dá certo. O Sofia é um exemplo de autonomia e empoderamento da enfermagem, vocês têm uma assistência que nos permite avançar na qualidade da assistência”, afirmou.

Uma mística

Para Christiane Hatano, da JICA Brasil, “aqui tem uma mística. Quem visita, fica sensibilizado. Esta é uma grande parceria. O Sofia sempre nos recebe muito bem, de forma acolhedora e profissional.” Ela também esteve na África em contatos com os serviços de saúde, antes de definirem o curso deste ano. “Queremos que ele tenham mais sustentabilidade do modelo no país de origem.”

A solenidade contou com a presença do Embaixador Paulo Wangner Miranda, do Ministério das Relações Exteriores – MRE, que se declarou feliz por estar em seu estado natal, Minas Gerais. “E muito honrado do nome do Ministério das Relações Exteriores estar envolvido nesta parceria. O curso deve impactar suas vidas profissional e pessoalmente”, opinou. Agradeceu a acolhida e a receptividade. Enfatizou: “esta cooperação foi possível graças à determinação e generosidade da JICA”.

André Gustavo de Barros, também da ABC/ Ministério das Relações Exteriores, reafirmou que os profissionais participantes foram indicados pelo Ministério da Saúde de Angola e Moçambique. Entre eles, profissionais e gestores de hospitais e centros de saúde. “A responsabilidade é maior ainda.  É uma indicação oficial, vocês são os técnicos que vão fazer a diferença”.