Manifestação no Sofia foi um sucesso!

quarta-feira, 8 de março de 2017 as 15:47

R$ 5 milhões de reais serão  adiantados imediatamente  para o Hospital Sofia Feldman, que atravessa uma grave crise financeira. No meu mandato em Belo Horizonte, hospital nenhum fecha”.  Esta foi a promessa do prefeito Alexandre Kalil para os diretores do Hospital Sofia Feldman, em reunião realizada hoje (8 de março), às 11h, no Auditório Sabiá, na sede da instituição.  Enquanto ele se reunia com o colegiado diretor, a comunidade, usuários, conselheiros, amigos e simpatizantes do Hospital animavam a manifestação, convocada pelo Conselho Municipal de Saúde, com a hastag #AbraceoSofia e #SomosSofia. Toda a imprensa cobriu a mobilização, que contou com a adesão do Colégio Noeme Campos (localizado no Bairro Tupi), dos alunos da Creche José de Souza Sobrinho e do grupo Calcinha de Palhaças, além daquelas que tiveram os seus filhos no Hospital e que, agora, voltaram com eles no colo para dar apoio à causa em defesa do Sofia e das gestantes que ainda vão ter seus filhos no Hospital.

O ato contou, também, com a presença dos voluntários da ACAU-Associação Comunitária de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman,  do Sindicato dos Enfermeiros de MG, da Central Única dos Trabalhadores, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, da Escola de Enfermagem da UFMG, da Frente em Defesa do SUS, da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras e do Conselho Federal de Enfermagem.

O diretor-administrativo, Dr.Ivo Lopes, explicou que o problema financeiro é crônico, derivado do subfaturamento do SUS e de recursos que teriam que sair da prefeitura e que, há seis anos, não vêm para os cofres do Hospital. A situação chegou a este ponto: pagamentos e 13º atrasados, falta de recursos para compra de medicamentos e insumos, o que está levando o hospital a reduzir atendimento e a deixar de atender a uma das diretrizes da Rede Cegonha, que é oferecer ‘vaga sempre’. Dr. Ivo afirmou: ‘Somos 100% SUS e isto muito nos honra. E a mulher é nosso primeiro compromisso.”

Com a palavra, o prefeito de Belo Horizonte

Alexandre Kalil se sentou ao lado da esposa Ana Laender que, segundo ele, lutou bravamente para que algo se fizesse pelo Hospital, após uma visita anterior à insitutição, que a deixou sensibilizada. “Belo Horizonte este ano está fazendo o maior investimento em saúde do estado. A Lei exige 15%, investimos 25%. Quero informar a todos que o Brasil atravessa uma profunda crise e que a conta vai chegar no final do ano. O PT estadual deve 8 milhões de reais e o PSDB abandonou a saúde há oito anos. A situação é grave. O que podemos que fazer para reverter esta situação?” Perguntou o prefeito.

Como? “Exigindo que Belo Horizonte seja colocado no primeiro lugar em investimentos; somos o 20º estado em recursos para a saúde. Este abandono público é muito triste. Não vou fazer obras, viadutos; na minha gestão nenhum hospital vai fechar”, garantiu.

Informou, ainda: “estamos disponibilizando o gerenciamento hospitalar. Queremos que se faça o melhor gerenciamento, senão, não há dinheiro que chegue. Estamos assumindo a gerência administrativa para que, com menos dinheiro, se faça mais.  Vamos adiantar R$ 5 milhões para o Hospital Sofia Feldman, para que a folha seja acertada e  revolver problemas imediatos. Isto, imediatamente, pois o hospital é assunto para ontem.”

Falou alto e em bom tom: “aqui não é lugar para fazer politicagem; é lugar de saúde, de bem-estar.” Disse que irá quarta- feira  a Brasília perguntar o que os deputados estão fazendo lá. “Vou a Brasília buscar solução definitiva para o Hospital Sofia Feldman. Estamos assumindo porque somos humanos. Tiro de festim não resolve, dinheiro é bala na saúde.”

Audiências Públicas à vista

A manifestação contou com a presença dos vereadores Dr. Nilton, Cláudio Duarte, Marília Portela e Pedro Patrus;  dos deputados estaduais Dr. Jean Freire e Léo Portela e da representante do deputado federal, Adelmo Leão, Ana Rita Trajano. Já está marcada para o dia 21 de março, 19h, a audiência pública da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a ser realizada no Sofia. Ana Rita Trajano é uma das coordenadoras da Frente em Defesa do SUS, movimento de militantes em defesa do Sistema Único de Saúde, e informou que Adelmo Leão vai convocar  audiências públicas também na Assembleia Legislativa de MG e na Câmara dos Deputados.

Conselheiros em ação

Simone Gaia, presidente do Conselho Local de Saúde, comentou o ato: “O Kalil propôs um começo para desafogar. Resolve, mas só de imediato. O governo federal não atende os recursos necessários, são subfaturados. O movimento teve repercussão positiva e deu para ver o apreço do usuário para com o hospital;  estamos unidos nesta luta, para que o Sofia possa continuar o atendimento e manter  os trabalhadores”.

Ederson Alves da Silva,  vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, comemorou o ato: “foi um sucesso, pelo envolvimento dos conselheiros, trabalhadores, usuários e comunidade. O ato sensibilizou o prefeito de BH. Mas”, admitiu, “não iremos parar, queremos a contrapartida da prefeitura de Belo Horizonte para custeio do Sofia.”

Bruno Pedralva, presidente do Conselho Municipal de Saúde, transmitiu sua alegria. “Conquistamos uma grande vitória, ainda que parcial, um socorro emergencial. O prefeito Alexandre Kalil se comprometeu a cobrar do governo estadual e do federal, vamos aguardar. Isto só foi possível graças à mobilização dos usuários, conselheiros, trabalhadores.”

Trabalhadores comentam

Dr. João Batista de Castro Lima, diretor clínico do Sofia, achou a reunião bastante objetiva “e vai evitar que o Hospital feche suas portas. Aguardamos do prefeito o cumprimento do prometido, R$ 5 milhões de reais. Vamos averiguar as condições e cobrar da prefeitura a parte que lhe cabe no financiamento tripartite do SUS.”

O médico Edson Borges, considerado um médico 100% SUS, se declarou muito feliz. “Sei que o trabalho não está completo, precisamos continuar a mobilização. A solução não é definitiva. Nós estamos vivendo um momento onde o governo ameaça retirar recursos do SUS. Independente de tudo, não vamos parar. A gente não vai prejudicar o usuário pelas nossas crises econômicas e sociais”, garantiu.

Dr. Ronaldo Morais, coordenador médico da Maternidade, achou o ato muito positivo, “por que o povo em geral, o usuário está entendendo a nossa luta,  está sabendo das dificuldades e que não deixaremos de atender; este é o propósito de todo o corpo clínico. Não podemos deixar os prematuros nas estradas, sem atendimento.”

“Fiquei muito emocionada”. A enfermeira obstetra, Maeve Soares, acha que o movimento era necessário para chamar a atenção da população e do governo. “Queremos continuar atendendo a mulher e os bebês de forma humanizada. O recurso oferecido trouxe uma tranquilidade emergencial, não vai resolver, mas que seja o ponto de partida que nos permita continuar atendendo de forma respeitosa e digna  as mulheres e crianças que precisam da nossa atenção.”

Usuárias com filhos a tiracolo

Clara Karmaluk, assessora de comunicação da Exposição Sentidos do Nascer, trouxe um cartaz escrito pelo próprio filho Teodoro, de seis anos, em apoio ao Sofia, que dizia: “Eu nasci no Sofia”. “ Para ela, a manifestação é um pequeno carinho dos usuários e trabalhadores, em retribuição a todo o amor que o Sofia doa.”

Mariana Amorin, mãe de duas crianças nascidas no Sofia, confirma as palavras de Clara: “Vim para apoiar o Sofia e para retribuir o carinho e atenção recebidas. Tive um parto natural e um atendimento perfeito.

Liliane Moraes e Renan Barbosa  vieram de Congonhas, no interior, com os filhos Gaia e Maia, “porque a gente ama o Sofia. Precisamos apoiar a instituição que acolhe a gente tão bem, mulheres e famílias. Sou de um grupo de Lafayeti e Congonhas, que realiza rodas de conversa, o Coletivo Nascer Sorrindo. Elas não vieram, mas estavam aqui de coração”. Além deste coletivo, participaram militantes da ONG Bem Nascer e do Grupo Ishtar.

Opinião da Federassantas: não é ajuda!

Dra. Kátia Rocha, presidente da Federassantas, ressaltou: “O primeiro aspecto a ser considerado, a manifestação sensibilizou o Kalil para a causa e para a relevância do hospital, que é o maior do Brasil. Impossível não ver a relevância da instituição para o SUS.” Segundo ela, “os  5 milhões antecipados não são um recurso para sanar, mas um alívio para o Caixa. Esperamos que ele se sensibilize para entender o momento e dar prosseguimento até chegar a um funcionamento adequado. O que o Hospital solicita não é ajuda, é o que o Poder Pública cumpra suas obrigações de custeio”, afirmou.

E pergunta: O SUS é tripartite, que tripartite é esta? Só na lei? O município dá zero de recursos.   O hospital não pode aguardar. O Sofia não pode perder a sua história de acolhimento à mulher e à criança, não aceitamos retrocesso. Aqui, tem o diferencial da saúde. Não é apenas tirar o bebê, é abraçar a mulher”, ressaltou.