Posição Canguru é tema de artigo publicado na Revista Paulista de Pediatria

sexta-feira, 7 de julho de 2017 as 10:41

Fazer a Posição Canguru com os bebês favorece o vínculo entre mãe e bebê. Esta foi a conclusão da fonoaudióloga, ex-aluna da Especialização Multiprofissional em Neonatologia, Cyntia Ribeiro do Nascimento Nunes, em pesquisa realizada no Hospital Sofia Feldman e demonstrada no artigo “Relação da duração da posição canguru e interação mãe‑filho pré‑termo na alta hospitalar”, publicado recentemente na Revista Paulista de Pediatria.

A Especialização foi feita entre 2013/2015 e os dados coletados na instituição. Também assinaram o artigo: Janser Moura Pereira, a Terapeuta Ocupacional Patrícia Rodrigues da Costa, a fonoaudióloga Flávia Lima e a fisioterapeuta Vivian Azevedo.

Segundo a publicação, “a Posição Canguru parece influenciar no desenvolvimento da interação mãe‑filho (desde o período pré‑verbal) e na sensibilidade materna (durante o período de internação hospitalar).”

Revista Paulista de Pediatria

Método

O artigo enfocou a influência da duração da Posição Canguru nas interações iniciais da díade mãe‑filho pré‑termo. Foi feito um estudo observacional, prospectivo exploratório, que analisou, por meio de filmagens, a interação mãe‑filho durante a amamentação, previamente à alta hospitalar, utilizando o “Protocolo de Interação Mãe‑Bebê de 0 a 6 meses”.

Foi correlacionado o tempo da Posição Canguru durante toda a internação hospitalar e a interação mãe‑filho pré‑termo. Todos os recém‑nascidos elegíveis (idade gestacional entre 28 e 32 semanas e peso ao nascimento entre 1.000 e 1.800 g) foram incluídos no período de 11 de junho a 31 de setembro de 2014.

Conclusões

Chegaram aos seguintes resultados. “Quanto maior o tempo em Posição Canguru, mais os recém‑nascidos realizaram tentativas de contato físico com as mães durante a amamentação e quanto maior o tempo na Posição Canguru, menos as mães conversaram com os filhos”.

O artigo explica: “A literatura evidencia que a voz materna ou o ‘manhês’ é parte de um ciclo interativo que pode desempenhar um importante papel no desenvolvimento cognitivo e social da criança. Uma revisão sistemática listou quatro funções principais da fala materna: comunicação afetiva, facilitação na interação social, manutenção da atenção da criança e aquisição da linguagem. Em outro estudo, entretanto, a fala da mãe com o filho de 1 mês pareceu ter um efeito perturbador em 67% das transições (acordado a inquieto), pois não auxiliou o recém‑nascido a retornar para o estado acordado (alerta passivo); pelo contrário, manteve‑o no estado inquieto. Acredita‑se que, no presente estudo, as mães verbalizaram menos durante a amamentação porque perceberam esse efeito perturbador, principalmente associado ao alto índice de ruído das unidades neonatais. Além disso, vale ressaltar a possibilidade de a câmera ter inibido as mães nesse momento.”

Ainda segundo o artigo, “os dados apontam que o maior tempo de Posição Canguru favorece as trocas iniciais de contato entre o filho pré‑termo e a mãe, o que sugere maior estado de alerta e melhor disponibilidade do recém‑nascido para interações com a mãe durante a amamentação”.