Cuidado Canguru – Muito mais que uma posição

terça-feira, 5 de setembro de 2017 as 9:16

O Comitê do Cuidado Canguru do Hospital Sofia Feldman promoveu duas edições do ‘Curso de Sensibilização para o  Método Canguru,’ voltado para os profissionais de saúde envolvidos no cuidado ao recém-nascido de baixo peso – equipe multiprofissional da Neonatologia e da Obstetrícia. Por meio de exposições dialogadas, visitas técnicas, rodas de conversa e práticas, os participantes se informaram sobre a ‘Norma de Atenção Humanizada ao Recém‑nascido de Baixo Peso ‑ Método Canguru’. Muitos acreditavam que o Método se referia apenas à Posição Canguru. Na capacitação, os profissionais foram informados que é muito mais que isso, e se inicia ainda no pré-natal da gestante de alto-risco até o acompanhamento do bebê no seu desenvolvimento. Participaram 50 profissionais, em duas turmas, cada uma com 24 horas aula.

Será promovido um curso por semestre, com o objetivo de atingir a todos os trabalhadores. Ao final, os participantes fizeram uma avaliação do Curso. “Os profissionais ressaltaram que o Curso foi importante para o crescimento pessoal e para a prática assistencial. Saíram com um novo olhar para o recém- nascido e sua família. Compreenderam que o Método Canguru não é só a posição Canguru, mas uma série de medidas cientificamente comprovadas, que começa no pré-natal e vai até o recém-nascido completar 2.500 gramas, visando melhorar a sua qualidade de vida e ampliar o vínculo família/bebê”, informou Patrícia Costa.

“No Curso fomos chamados a rever a participação de cada profissional neste processo e a nos engajar nas melhorias. Minha atitude na assistência modificou. Ampliou meus conhecimentos sobre a importância multidisciplinar na promoção de um desenvolvimento saudável. Tornou os métodos da assistência e os objetivos mais claros. O Curso enfatiza medidas de assistência que são factíveis e melhoram o prognóstico neurológico do recém-nascido, aprimorando o laço afetivo com os pais”, deixou registrada a pediatra Camila Gomes na sua avaliação.

Brasil pioneiro

A Norma foi criada em 1999 pela área técnica da Saúde da Criança, da atenção à Mulher e ao Recém-nascido, do Ministério da Saúde.  O Brasil é o único país a contar com uma política pública voltada para o Cuidado Canguru.

O Comitê do Cuidado Canguru é formado por tutores multiprofissionais: terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros neonatólogos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais e coordenados pela terapeuta ocupacional, Patrícia Costa. É responsável por discutir e auxiliar na implementação da Norma de Atenção ao Cuidado Humanizado ao Recém-nascido de Baixo Peso. A Sensibilização teve início com a descrição da Norma. Temas abordados: ‘Aspectos neurocomportamentais do recém-nascido pré-termo’. ‘Parentalidade: considerações sobre o desenvolvimento psicoafetivo do recém-nascido pré-termo’, ‘O cuidador e o ambiente da Unidade’, ‘Orientações para os pais, seguimento ambulatorial e rede social’. ‘Estresse e dor’,‘Qualidade do cuidado’ ‘Posso ir para casa? Discutindo a alta hospitalar’ e ‘Quando o cuidado falha’.

O ‘Método Canguru’ observa outros quesitos na Neonatologia, como a ambiência, a luminosidade, os ruídos e a manipulação mínima na UTI. “A política é destinada a recém-nascidos de baixo peso, mas, todo bebê em condições, deve ir para o colo, fazer o pele a pele o maior tempo possível e que seja prazeroso para  a mãe, o pai e o bebê”, explicou Patrícia Costa.  Dois critérios são observados para a prática do Canguru: a condição clínica do bebê e a disponibilidade da mãe/pai.

“Agora sabemos dos benefícios”

O enfermeiro da UTI Tierre Cruz participou da capacitação. Era um dos que acreditavam que o Método era apenas a Posição Canguru. “No decorrer da Sensibilização, vi que envolve desde o pré-natal até a alta e o cuidado com os pais e a criança. Foi importante para melhorar a assistência. Trabalho na UTI, lá temos contato com a mãe e incentivamos a interação com o bebê na Posição Canguru.”

Ele percebeu que é, também, possível fazer o Canguru no bebê intubado. “Precisa verificar primeiro a estabilidade do bebê e consultar a mãe, para ver se ela tem o desejo de fazer.”  Tierre saiu do Curso ciente dos benefícios da prática: “principal, interação entre mãe e bebê com o contato pele a pele. Mantém a temperatura equilibrada, o que favorece um maior ganho de peso e estimula o aleitamento, as mães pedem compressas porque o leite começa a vazar. Já saem do Canguru para a ordenha.” Saiu com a decisão de estimular mais a prática entre as mães e os pais.

Flávia Gonçalves Ferreira é técnica em enfermagem e atua no Alojamento Conjunto. Reconheceu: “para mim, é tudo novo, porque não costumamos fazer Canguru no alojamento, é mais nos cuidados intensivos. Mas é bom saber, para nos aperfeiçoar. Vi que auxilia no aleitamento materno, no crescimento do bebê e acentua o vínculo por meio do pele a pele com a mãe ou o pai.”

Todas as mães fazem?

Patrícia Costa esclareceu: “Incentivamos principalmente as mães de bebês de baixo peso, que estão na Neonatologia. O Ministério da Saúde, inicialmente, visa bebês de baixo peso, mas há uma discussão de ampliação para outros bebês. Tem vários benefícios: favorece o aleitamento materno, a construção do vínculo entre mãe e bebê, família e bebê, dá segurança aos pais no cuidado, diminui o tempo de internação do recém-nascido, os riscos de infecções, favorece o ganho de peso, o crescimento e o desenvolvimento dos bebês”.

“A dinâmica me levou à conscientização e reflexão sobre a minha prática profissional, penso que é necessário atuar de forma a melhorar o ambiente de trabalho. Quero compartilhar e contribuir para divulgar os ensinamentos do Curso”, disse a enfermeira Patrícia dos Santos.

A técnica de enfermagem Kéren Faria reconheceu que “sabia pouquíssimo sobre o Método e os seus benefícios para o recém-nascido. Para mim, era só uma posição e não algo que começa no pré-natal de alto risco. Vi que os resultados são reais e não só teoria e fazem muita diferença para o bebê e para a mãe nos cuidados em geral”.