Sofia capacita profissionais para o Método Canguru

segunda-feira, 6 de novembro de 2017 as 14:24

O Hospital Sofia Feldman realizou em 31 de outubro, no Auditório Sabiá, o ‘I Seminário do Método Canguru: fortalecendo vínculos, humanizando o cuidado’, com o objetivo de capacitar os trabalhadores para a prática. O Método Canguru não é somente a Posição Canguru. Inicia-se no pré-natal e na internação do recém-nascido e vai até a alta, quando o bebê de volta para casa e continua sendo acompanhado pela equipe. Tem benefícios comprovados: maior vínculo entre mãe-pai-bebê, maior segurança dos pais no cuidado com o filho, melhor desenvolvimento psicomotor, controle e alívio da dor, diminuição de infecção hospitalar, redução de conflitos entre a família e a equipe, otimização de recursos humanos e menor tempo de internação.

O evento teve início com a apresentação de Música Popular Brasileira das trabalhadoras Ludmila Laranjeiras e Claudinéia Leal, acompanhadas ao violão por André Varogh. Duas mães deram testemunho sobre a Posição Canguru: Jaqueline Moreira e Letícia Fernanda relataram a emoção de sentir o corpinho do bebê  junto ao corpo. Em seguida, foi exibido um vídeo sobre o Método Canguru no Hospital Sofia Feldman.

A mesa de abertura foi composta pelo presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde – FAIS, Sr. José Moreira Sobrinho, a pediatra e Consultora Nacional do Método Canguru do Ministério da Saúde, Dra. Maria Cândida Ferrarez Viana, a representante da Coordenadoria de Atenção à Saúde das Mulheres e Crianças da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, Karla Caldeira, a pediatra neonatologista e coordenadora médica da Neonatologia do Hospital Sofia Feldman, Dra. Raquel Lima de Paula e a terapeuta ocupacional e tutora hospitalar do Método Canguru, Patrícia Costa. Foram abordados temas como o ‘Método Canguru no Brasil e MG: avanços e desafios’, Evidências Científicas e pilares do Método e a Colostroterapia.

Tecnologia transformadora

O Método Canguru tem três etapas: começa no pré-natal e na internação em UTI neonatal; na segunda etapa, mãe e bebê ficam juntos na UCI neonatal e é o momento de fazer o contato pele a pele e incentivar o aleitamento [o objetivo é que a mãe tenha mais autonomia no cuidado com o bebê], a mãe e a família são preparadas para a volta à casa. E a terceira etapa é a continuidade do cuidado, em que a família deve estar preparada para cuidar do bebê, identificar os sinais de risco, administrar os medicamentos e manter a Posição Canguru em casa.

Dra. Raquel Lima de Paula disse que “o Método Canguru é simples, mas não é por ser simples que não é grandioso. De fato é uma tecnologia com capacidade transformadora, que tem efeito não só no neuro desenvolvimento do recém-nascido, mas na relação entre a família e a assistência.” O auditório Sabiá ficou complemente lotado durante o Seminário: “auditório cheio significa o compromisso deste hospital com o Método Canguru”, comentou.

A pediatra enfatizou que o cuidado deve incluir toda a família. “Este bebê não vem ao mundo sozinho, tem pessoas que o cercam. O Método prevê a inserção da família desde o início e a equipe é estimulada a acolhê-la. Começa acolhendo pais e mães na unidade neonatal, eles não são considerados visitas, mas acompanhantes.”

Os olhos do Ministério da Saúde

Patrícia Costa informou que “este Seminário vem como uma estratégia para fortalecer o Método Canguru, ampliando e fortalecendo em todo o estado de MG. O Comitê foi formado em 2011, quando fomos qualificados. Com a formação de tutores nós nos juntamos ao Comitê Multiprofissional para colocar em prática as ações do Método.”

Dra. Maria Cândida Viana, referência nacional do Método Canguru, garantiu que os participantes “vão sair do Seminário olhando a criança com olhos diferentes.” Ela palestrou sobre a “Experiência Canguru e fortalecimento de vínculos” e o Método no Brasil e MG. “É uma política nacional de saúde, um conjunto de ações para qualificar o cuidado ao recém-nascido, seus pais, famílias e o cuidador.” Contou que no Brasil se chama ‘Método Canguru ‘e, no mundo, ‘Método Mãe Canguru’. “O Brasil inovou e reconheceu a importância do pai no cuidado, presença fundamental. Ele existe e é um pilar neste processo. Esse menino é de todos, não só do lugar que ele nasceu”.  Ressaltou que os benefícios do Método foram comprovados em vários trabalhos científicos no mundo, “não é um lugar, pode ser feito na UTI e recomenda, também, menos ruídos e iluminação na Unidade de Cuidado Intermediário.” Disse para os tutores ali presentes: “vocês são os olhos do Ministério da Saúde nas unidades.”

Os maiores problemas encontrados em 32 maternidades brasileiras analisadas – segundo a médica –  foram o excesso de ruídos e a ausência de controle e tratamento da dor: “é inadmissível se não controlar a dor, o bebê fica estressado, não engorda e fica mais tempo internado.”

Responsabilização coletiva

Elyzângela Ditzz desenvolveu pesquisa sobre o tema e acrescentou outros benefícios ao Método: “estabilidade, maior conforto e mais confiança na função materna. A mãe tem uma rede dando o suporte para o cuidado com os outros filhos. Este entendimento traz uma responsabilização coletiva familiar com o bebê.”

A pediatra neonatologista Sandra Ornelas, tutora do Método Canguru na Maternidade Odete Valadares, contou a história do Canguru, que começou em 1979 na Colômbia, e em 2007, se tornou uma política pública do Ministério da Saúde. “É uma tecnologia de ponta. Não é só a tecnologia dura, a humanização tem de estar presente”, afirmou. Ela falou de várias pesquisas realizadas na Suécia, Dinamarca, Austrália, Estados Unidos e Reino Unido que reafirmaram os benefícios do Método. “As pesquisas mostraram que o Método Canguru é protetor contra várias ocorrências de peso na saúde do neonato e não mostrou evidências de risco.” No Reino Unido, a pesquisa mostrou que o Método Canguru e o Aleitamento Materno também geram economia, e que os bebês de baixo peso alimentados com fórmula têm mais morbidades.”

Pilares do Método Canguru

A fisioterapeuta e consultora nacional do Método Canguru, Vivian Mara Azevedo listou os pilares do Método Canguru”: “o cuidado individualizado, centrado nos pais; o contato pele a pele precoce; o controle ambiental de luz e som [para evitar estimulação inadequada]; a adequação postural [prevenção de futuras distonias nos RN prematuros]; e a amamentação [favorecendo vínculos e prevenindo doenças no primeiro ano de vida].

Dentre os benefícios deste cuidado está, ainda, “o custo-efetividade, já que segundo pesquisas realizadas gera uma economia de 570 dólares por criança”, informou.

Colostroterapia

A palestra sobre Colostroterapia foi ministrada pela enfermeira obstetra Cintia Ribeiro, coordenadora do Banco de Leite do Sofia Feldman, que explicou o que é o colostro e a importância dele para a saúde do bebê. “O colostro tem uma aparência amarelada, é o leite dos sete primeiro dias após o nascimento da criança. Possui proteínas, minerais, vitaminas E, A e imunoglobinas. É considerado a primeira vacina do bebê”, explicou Cintia.

Informou que os bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva-UTI Neonatal recebem a colostroterapia, prática que procura garantir que o colostro seja levado ao recém-nascido, com o intuito de aumentar a sua imunidade. Segundo Cintia, a terapia é feita em duas etapas: a mãe que está com o filho internado na UTI é informada sobre a importância dele receber o colostro como terapia imune do sistema oral. A administração é a segunda etapa do processo em que o colostro é gotejado na cavidade oral do recém-nascido.

Cintia Ribeiro acredita que o Método Canguru favorece o aleitamento materno e para ela “os dois comitês devem caminhar juntos”.

Aprender com a troca

A nutricionista, Ariane Cristine, residente em Perinatologia, na Maternidade Escola da UFRJ, encerrou seu estágio externo realizado no Sofia participando do I Seminário do Método Canguru. “Escolhi o Sofia Feldman por conhecer a instituição, a qualidade e a referência do serviço, principalmente na neonatologia”.  Ela reconheceu a importância do Seminário. “Foi um momento de troca, pude conhecer um pouco mais de como o método [canguru] é feito não só aqui em Minas, mas também as referências nacionais. Tive a oportunidade de conversar com mães que estavam fazendo o Canguru e ver a importância para o bebê e para a formação do vínculo. No momento da alta é fundamental mães mais conscientes e mais bem preparadas; trazer esta discussão, o diálogo é muito importante, principalmente pra gente, recém-formado”.