Da África para o Brasil

quarta-feira, 8 de novembro de 2017 as 9:25

O samba brasileiro entoou hoje, 6/11, pela manhã, no Hospital Sofia Feldman, na abertura do ‘7º Curso Internacional de Atenção Humanizada à Mulher e ao Recém-Nascido’, realizado em parceria com a Agência de Cooperação do Japão – JICA e a Agência de Cooperação do Brasil – ABC, dentro do TCTP – Programa de Treinamento para Terceiros Países. As músicas estavam na ponta da língua das 16 africanas que chegaram à Instituição, vindas de Angola e Moçambique, ‘O Canto das Três Raças’ [de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte] e ‘O que é o que é’ [de Gonzaguinha] animaram o Auditório Sabiá. As visitantes são enfermeiras encarregadas da assistência obstétrica em Angola e Moçambique e ficam no Sofia até o dia 24 de novembro, quando serão capacitadas para o modelo de assistência humanizada à mulher e ao recém-nascido praticado no Hospital.

A mesa de abertura foi composta pelo presidente da FAIS – Fundação de Assistência Integral à Saúde, Sr. José Moreira Sobrinho, a Sra. Mami Saiki, da JICA-Agência de Cooperação do Japão, Ludmila Taborda, do Conselho Federal de Enfermagem – COFEN, Eliane Marina Palhares, diretora da Escola de Enfermagem da UFMG e Cláudia Barcaro, Gerente de Educação e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, representando o Secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Pinto. Participaram da apresentação musical Wilma Barromeu e os trabalhadores do Sofia, Leandro Xavier e Marcela Luz.

“Somos nações irmãs, a mesma origem, a mesma língua” – enfatizou Sr. José Moreira Sobrinho, da Fundação de Assistência Integração à Saúde – FAIS – “sentimo-nos grandes em estar com vocês e em contribuir para difusão deste conhecimento. Essa convivência nos enriquece muito, porque aprendemos com vocês também. Sejam bem-vindos!”

Momentos de troca

Mami Saiki, da Agência de Cooperação do Japão – JICA, disse que a realização do Curso “nos enche de orgulho, principalmente este do Sofia que tem acolhido muito bem, tenho certeza absoluta que serão bem tratados.” Ela se dirigiu às visitantes: “Vocês foram escolhidos em seus países para buscarem conhecimento. Disseminem os resultados com seus colegas, com o povo angolano e conosco também. Espero que aproveitem bem!”

Ludmila Taborda representou o Conselho Federal de Enfermagem – COFEN e relatou sua história como usuária do SUS e do Sofia: “Fui acompanhada no pré-natal e tive um parto domiciliar planejado com a equipe do Hospital, um parto seguro, asséptico e onde fui ouvida e atendida em minhas escolhas. Tive muita dificuldade com aleitamento materno e fui acolhida, meu filho mamou até os seis meses em livre demanda. Um privilégio ter exercido a minha cidadania.” Agradeceu em nome do COFEN e desejou momentos de troca para as visitantes.

Instituições irmãs

A Escola de Enfermagem da UFMG é parceira do Sofia desde a fundação. A diretora, Eliane Palhares, acentuou a participação da instituição na formação das enfermeiras obstetras, com as residências, especializações e cursos de aprimoramento do Programa Rede Cegonha, do Ministério da Saúde-MS. “Estamos aqui desde o parto do Sofia e temos acompanhado este jovem Hospital até hoje. A assistência oferecida por esta instituição pode ser resumida em uma palavra ‘humanização’. Instituições irmãs que trabalham juntas sempre pensando na melhor forma de assistência para a mulher”.

Cláudia Barcaro representou o secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto, e conheceu as africanas antes do evento: “Foi uma satisfação muito grande conversar com essas meninas, trocamos e-mails e selfs. Espero que possam levar esta estratégia de humanização às mulheres e recém-nascidos para seus países de origem e deixem seus conhecimentos”.

Às lágrimas

A emoção tomou conta do auditório algumas vezes. Em uma delas, a coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa – LEP, Dra.Lélia Maria Madeira chegou às lágrimas ao falar sobre as crises enfrentadas pela instituição. “Mesmo com todas as dificuldades nos preparamos para recebê-las. Não é uma coisa simples, muitos professores envolvidos e que irão atendê-las na prática. A enfermagem hoje é o coração, o cuidado, associado às evidências científicas. Precisamos qualificar a assistência que estamos ofertando à população. Desejo excelente estadia!

A enfermeira obstetra Eliane Rabelo, que acabou de chegar da África, onde tem ido ajudar na qualificação dos profissionais, também se emocionou. “Essa parceria é muito importante para nós, tanto no ponto de vista humanitário como técnico. Chegamos com a caneta e a enxada, a caneta é o ensino. Eu sou muito da prática. Vivi lá o ensino e estive do outro lado. Tenho muito orgulho de fazer parte deste processo. Só sabemos o valor se estivermos do lado do outro, o mundo está pedindo que façamos coisas com o coração”.

24h de apoio

“Estamos 24 horas ao lado da mulher. Quando a gente luta por cada mulher é que vale à pena. A cultura de vocês é que trouxe a alegria de viver para os brasileiros e o nosso canto”, declarou Dr. Ivo Lopes, diretor técnico e administrativo do Sofia, que também agradeceu à JICA, “agradeço ao povo do Japão, de cultura tão diferente, mas que nos uniu. Cabe a cada um de nós mudar a forma de nascer.” Citou o obstetra Michel Odent, ‘para mudar o mundo há que se mudar a maneira de nascer’.

A abertura terminou com música e pétalas de rosas. Em seguida, as moçambicanas e angolanas iniciaram a capacitação, apresentando a situação de saúde de seus países e conhecendo a do Brasil.