É possível mudar!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017 as 12:35

O obstetra Edson Borges, do Hospital Sofia Feldman, participou do ‘I Ciclo de Palestras para a Conscientização sobre a Violência Obstétrica’, promovido pela Câmara de Vereadores de Santa Maria (RS), de 20 a 25 de novembro. O convite veio com a visita do vereador Francisco Harrinson à instituição, em outubro. A realização foi da Câmara Municipal, com o apoio da Prefeitura de Santa Maria e do Centro Universitário São Francisco – UNIFRA, com o patrocínio da Unimed.

O evento teve como objetivo levar informação à sociedade e promover a discussão do tema entre os profissionais da saúde. Contou com palestras na Câmara de Vereadores e no Centro Universitário Francisco-UNIFRA. Participaram das atividades a comunidade santa-mariense, famílias vítimas de violência na assistência obstétrica, profissionais da saúde, professores, estudantes, pesquisadores e representantes do movimento de mulheres ["Mães em luta contra a violência obstétrica"]. Contou, também, com a presença da secretária municipal de saúde, Liliane Mello e da superintendente da Atenção Primária, Suzana Lopes.

Dr. Edson informou que não houve uma grande mobilização, “mas os atores mais importantes para as mudanças estavam lá. Houve uma participação importante das mulheres, elas têm sofrido muito com o modelo de assistência praticado. Notei a ausência dos médicos e estudantes de medicina”.

O vereador e médico Francisco Harrisson pontuou que,  em Santa Maria, nenhum gestor implantou os protocolos para a assistência materno infantil humanizada. Lembrou: “o diretor do Sofia Feldman [Ivo Lopes] é uma pessoa fantástica e um exemplo de simplicidade. Ele decidiu mudar e hoje o hospital é de referência, colhe os frutos. Aqui também é possível mudar”, afirmou o vereador.

Simplesmente, observar

Edson Borges falou sobre a assistência humanizada ao parto e nascimento prestada no Sofia e listou os quatro desafios no ensino da Obstetrícia:

“1º – Reconhecer a normalidade como importante. Reaprender o que é normal, distinguir o patológico do fisiológico. Valorizar no ensino da Obstetrícia a normalidade. Só ensinam o patológico, trata-se tudo como patológico.

2º – Desaprender ações, intervenções mais comuns e antigas da prática obstétrica, como a episiotomia [corte vaginal], o puxo dirigido [quando o profissional orienta a parturiente a fazer força] e a Manobra de Kristeller [apertar a barriga para ajudar o bebê a descer]. A maior parte da assistência ao parto se caracteriza pelo não fazer. Desaprender ações antigas e aprender a observar simplesmente.

3º – Ensinar os aprendizes da Obstetrícia a lidar com a autonomia da mulher.

4º – Desafio do aprendizado do trabalho em equipe, particularmente para os médicos, aprender a reconhecer o papel central da enfermeira obstetra na assistência ao trabalho de parto e nascimento.

Aprender e desaprender

Dr. Edson reconhece que “esse é o papel do Sofia, conscientizar sobre a assistência humanizada ao parto e nascimento, essa é a nossa importância. O Sofia, sem dúvida, inspira as pessoas. A experiência nossa faz as pessoas verem claramente que é possível mudar”.

“A maioria dos profissionais precisa reconstruir a sua personalidade para atender ao modelo humanizado É necessário aprender e desaprender” – pontuou Dr. Edson – “existe uma redistribuição de poder, onde a gestante é a protagonista e a enfermeira obstétrica é a responsável pelo parto; o médico está sempre próximo, acompanhando os partos que saem da normalidade, que passam do fisiológico para o patológico, mas não é o centro do cuidado como no modelo tradicional”.