Sofia celebra formação de enfermeiras e médicas obstetras

sexta-feira, 2 de março de 2018 as 17:00

O Hospital  Sofia Feldman celebrou no último 27 às 19h30, a cerimônia de encerramento das residências em Enfermagem Obstétrica e Ginecologia e Obstetrícia. A cerimônia foi marcada pelas lembranças trazidas pelos formandos e tutores de momentos importantes vividos na instituição. Priscila Pita, médica residente da Ginecologia e Obstetrícia, relembrou como chegou ao Sofia Feldman. Ela morava na Bahia quando foi aprovada em três residências, nos estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais, optou por Minas e explicou o motivo: “minha sogra é médica ginecologista e me falou que aqui era o melhor lugar para fazer a residência, então eu segui o conselho e vim”.  Durante a Residência, teve suas expectativas superadas. Ainda lembrava do primeiro dia, quando o Dr. Ivo Lopes, diretor técnico e administrativo do Hospital, os recebeu e afirmou: “quero que vocês levem a filosofia daqui para o Brasil”. Para Priscila, o sentimento que fica é de gratidão por tudo que viveu e aprendeu nos três anos.

Juliana Lobo, uma das formandas em Enfermagem Obstétrica, contou que começou a fazer planos na obstetrícia ao realizar um teste vocacional durante a graduação. “O teste revelou afinidade com maternidade ou saúde mental. Uma das minhas professoras, a enfermeira obstetra Mirian Rego, sempre falou do Sofia com muito amor e fiquei balançada”.  Ainda restaram dúvidas: como seria a sua inserção no campo da Enfermagem Obstétrica? Juliana desejou, mas não planejou cursar a residência no Hospital Sofia Feldman. “Me inscrevi no último dia e vim, deu certo!”, contou. Juliana relatou que  durante os dois anos na Residência encontrou profissionais dedicados, trabalho em equipe, uma equipe compromissada e uma diretoria totalmente envolvida na causa da mulher e em defesa do SUS. “Foi a experiência mais intensa da minha formação e a que mais pude aprender. A Obstetrícia me devolveu o amor pela Enfermagem”, concluiu.

A mesa de abertura da cerimônia foi composta pelo diretor clínico do Hospital Sofia Feldman, João Batista de Castro Lima, a coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa, Dra. Lélia Madeira, a coordenadora da Residência em Enfermagem Obstétrica Danúbia Mariane, o coordenador da Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Edson Borges, a representante da Associação de Residentes do Hospital Sofia Feldman Adeli Carmen, Jéssica Rodrigues, a vice-presidente da ABENFO (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras), Kelly Borgonove, e pela presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais, Carla Prado.

Garantias e direitos no SUS

João Batista lembrou aos presentes a história do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, que foi criado em homenagem às  operárias de uma fábrica de tecidos, que morreram queimadas por exigirem seus direitos. João lembrou que o momento de crise no Hospital Sofia Feldman não se dissocia do atual contexto do país. “Nosso país vive momentos sombrios, onde nossos direitos estão sendo atacados de forma cruel. O SUS vem sendo atacado de forma violenta”, opinou.

Para ele, o Sistema está sendo asfixiado e foi enfático: “o congelamento de recursos por 20 anos, significa que portas estão sendo fechadas”. Acrescentou com uma fala do atual ministro da saúde em que ele disse que um sistema de saúde para todos é utopia. João Batista comentou: “parece que ele não conhece muito de sistemas de saúde no mundo”. Parabenizou os formandos afirmando que irão cursar a Residência em uma das melhores instituições de Minas Gerais. “Vocês sairão daqui profissionais altamente capazes para cuidar das mulheres que precisam ter a sua autonomia e seus direitos respeitados”. E concluiu: “o Sofia vai resistir e continuar”.

Dra. Lélia Madeira, coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa do Hospital Sofia Feldman, brincou com os formandos: “fico emocionada ao ver esta turma tão energética, sem a roupa azul da assistência”. Explicou também que a crise pela qual o Sofia Feldman passa vai além da falta de dinheiro e que acredita que muitos não compreendem a real dimensão. “Esta crise, desencadeada pela falta de dinheiro, passa principalmente por questões de ordem política e envolvem interesses que nem sempre são os melhores para nós”. Finalizou com um conselho: “que vocês sonhem, mas que sejam sonhos possíveis, com a lucidez necessária para a conquista de suas realizações”.

Médicos e enfermeiras lado a lado

Danúbia Mariane, coordenadora da Residência em Enfermagem Obstétrica, agradeceu pela convivência nos dois anos de Residência. “Vocês são merecedores de reconhecimentos e de aplausos”. “Viver e lutar pela Enfermagem Obstétrica no país é comprometer-se diariamente com mulheres e famílias que buscam o nascimento respeitoso e humano. Me orgulha viver uma cerimônia de formatura que rompe com os paradigmas existentes e coloca ao lado médicas e enfermeiras especialistas em Obstetrícia que caminharam juntas em um modelo de formação colaborativo e multiprofissional, fortalecido cotidianamente no Sofia”.

Poesia e reflexão

Edson Borges, coordenador da Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia, declarou o orgulho que sente da colega Danúbia Mariane: “Tenho por ela uma admiração muito grande, é uma parceira espetacular”. Ele brincou com os participantes dizendo que no 1º ano de residência deu aos alunos um livro de poesias: “dizem que é falta de educação lembrar que se deu um presente, mas não tenho certeza se dei”. Segundo Edson o intuito do presente foi de trazê-los à reflexão, já que muitos se perguntariam: pra que serve poesia?  Qual a utilidade? Qual o ganho? Qual o objetivo? A proposta é que aprendam a fazer coisas que não tem finalidade prática. Ele lembrou que, em uma conversa com amigos, em que cada um contava maneiras de ganhar mais, de se ganhar mais dinheiro. “Este assunto foi metade da conversa. Não houve ali nenhum pensamento mais altruísta e isto é lamentável”. Ele informou que 1% dos mais ricos detém 88% de toda a riqueza do país. “Isto não é por acaso, é fruto de uma construção muito bem feita, uma construção política”. Declarou-se orgulhoso dos formandos. “Vocês estão preparados para defender este modelo contra hegemônico e leu um poema do Paulo Leminski, veja aqui.

Jéssica Rodrigues representante da Associação de Residentes do Hospital Sofia Feldman Adelir Carmen explicou o porquê da escolha de Adelir Carmem para dar nome à Associação. “Foi uma homenagem à mulher gaúcha, Adelir Carmen,  que teve uma cesárea realizada sem seu consentimento”. Disse ainda que a Associação compreende que o Coletivo tem força e que a nossa luta não é dividida em categorias ou programas, mas está baseada naquilo que acreditamos: no poder da mulher, na humanização do parto e nascimento e em uma assistência centrada na mãe e no bebê”.  Jéssica afirmou estar certa de que os residentes são resilientes e resistentes.

A representante da ABENFO, Kelly Borgonove, falou de pé aos convidados e formandos. Disse da alegria em presenciar uma formatura conjunta entre enfermeiras obstetras e médicas. “Faço minhas as palavras do João, vocês saem daqui como os mais qualificados para a assistência à mulher e ao bebê. Esta é, sem dúvida, a melhor formação que poderiam ter, baseada em três pilares: no protagonismo da mulher, em evidências científicas e no trabalho em equipe. Que o Sofia não seja uma ilha, mas que vocês possam replicar este modelo vivido aqui”.

Carla Prado, presidente do Conselho Regional de Enfermagem – COREN, admitiu que ficou surpresa e feliz ao ver as duas turmas – enfermagem e medicina – juntas. “Ninguém faz saúde sozinho”. Ela lembrou da história de seu parto, em Uberlândia: “Foi a experiência mais traumática da minha vida. Quem me dera ter estado no Sofia Feldman”. Finalizou: “O Conselho de Enfermagem está do lado de vocês, para que não haja desmanche do modelo do Sofia, ele tem que ser copiado e não desmanchado. Agora, falando na condição de mulher, mãe e enfermeira, vou lutar com unhas e dentes”.

Os formando receberam uma homenagem cantada pelo grupo teatral “Mensageiros do Rei”.