Guardiãs do modelo do Sofia

quarta-feira, 21 de março de 2018 as 8:11

Oito mulheres se reuniram por afinidade e uma razão: a paixão pelo Hospital Sofia Feldman. Criaram uma campanha de adoção de leitos, denominada “Somos todos Sofia” para ajudar a instituição no enfrentamento da crise financeira vivenciada. A ação, orquestrada pela obstetra Quésia Vilamil, reuniu como parceiras a advogada Gabi Sallit, as doulas Lena Rúbia e Bel Cristina, a designer Camila Rios, a cineasta Andressa Casseti, a publicitária Viviane Latini e a fotógrafa Paula Beltrão. Juntas, criaram o site www.todospelosofia.com.br e a página @leilaodassofias, no Facebook.

“O Sofia conta com mulheres guardiãs neste momento de crise, que se juntam ao Hospital na busca por soluções. Vemos com muita satisfação essa iniciativa das oito mulheres, estão garantindo a continuidade de um modelo de cuidado para todas as mulheres”, reconheceu Tatiana Lopes, da Linha de Políticas Institucionais, que representou o Hospital no ‘Leilão das Sofias’, no último sábado, 17/3, na Serra, onde foram ofertadas roupas de gestantes e de bebês doadas por Quésia Vilamil, numa primeira ação do grupo.

A primeira adoção

Quésia Vilamil trouxe uma boa notícia: foi fechada a primeira parceria, com a Droga Maxi, que adotou uma suíte de parto e doará R$ 1 mil reais mensais por um ano para o Sofia, podendo ser estendida. Valores foram definidos para adoção, por exemplo, a adoção de um leito no Alojamento Conjunto fica por R$ 50,00/mês, na Casa da Gestante, R$ 75,00, no CTI neonatal, R$ 100,00, na Unidade de Gravidez de Alto Risco/UGAR, R$ 125,00 e R$ 800,00 para a suíte de parto.

O doador recebe um cartão de padrinho, que poderá ser usado para descontos e serviços de outros parceiros. Será encaminhado para o Sofia um relatório bimestral sobre os serviços e os produtos que aderiram à campanha. São padrinhos do Sofia, além da Droga Maxi, a Maxi Mune (clínica de vacinação), Pharmaxi, Casa Pimentel, Enfoque Soluções Empresariais e Art Cuore Artesanato.

Manuela Duarte e o tio Rafael Marcos, do Grupo Droga Maxi, foram os primeiros a adotar uma suíte de parto por um ano. “Resolvemos adotar por reconhecer a importância do Sofia, um hospital referência que atende mulheres de BH e interior em um momento tão importante! Se o Hospital fechar, onde elas terão seus filhos? Vimos a rotina do Hospital e todo mundo trabalhando com carinha tão feliz! Fomos bem recebidos por todos desde a recepção.”

Além da adoção de uma suíte, Manuela também amadrinhará um leito como pessoa física e 11 das suas 22 lojas vão recolher trocos para o Sofia. “O mundo inteiro precisa de ajuda, mas caiu na minha mão, não foi por acaso, eu tenho que ajudar.”

Leilão das Sofias

O Leilão das Sofias foi realizado no Quintal, a primeira experiência de Coworking de Belo Horizonte [onde os profissionais que alugam as salas poderão contar com monitoras para olhar seus filhos, no mesmo local]. Lembrancinhas, pipoca, algodão doce, crepes, bolos também foram oferecidos em parceria por pessoas ou empresas que aderiram à causa.

Quésia Vilamil trabalhou no Sofia por 2 anos. “Quando conheci o Sofia, fiquei apaixonada, isso é de verdade? Quero trabalhar aqui.” Relatou a obstetra que não escondia a sua felicidade “em ver tantas pessoas juntas, profissionais de origens diferentes unidos por uma causa tão nobre!  Ajudar um Hospital que é modelo de assistência, que teve coragem de inovar e que nos dá também a coragem de inovar.” Ela contou que seis delas já se conheciam, mas que duas parceiras chegaram pelo seu Instagran, que tem 26 mil seguidores, a designer Camila Rios e a publicitária Viviane Latini, que teve a filha Micaela no Sofia.

Lena Rúbia, uma das oito mulheres, é doula e costuma ser vista pelos corredores do Sofia acompanhando gestantes. Aderiu à Campanha “porque é imprescindível ajudar o Sofia, não podemos deixar morrer o que começou por lá e se desdobrou para o Brasil inteiro. Morre o Sofia morre o sonho da enfermeira obstetra. É o berço dos residentes, que vão levar para sua cidade essas ideias de boas práticas. O Sofia é de onde sai a humanização no Brasil.” Ela conta como é acompanhar gestantes no Sofia. “Eu me sinto em casa, segura de estar defendendo o que acredito, porque os profissionais estão trabalhando com muito amor e com base em evidências científicas.”

Gratas ao Sofia!

Camila Collares cedeu o Quintal para o Leilão das Sofias. Seu filho Theo nasceu no Hospital Sofia Feldman em 2016. “O Parto foi maravilhoso. Fui acompanhada em casa pela Equipe do Bom Parto e cheguei ao Sofia com 8 cm de dilatação, quase no expulsivo. Fui para a Casa de Parto e foram 40 minutos de amor esperando o bebê vir. Sou muito grata ao Sofia! O que eu puder fazer pela instituição, eu farei. Quero mostrar para as mulheres que há outro caminho, devolver o que a gente recebeu.”

A designer Camila Rios tem um filho “metade Sofia, metade Unimed. Sofia de coração. Ela passou por uma reversão [o bebê estava sentado] com o obstetra Edson Borges, do Sofia. “Deu super certo. Passei a noite, não evoluiu, não estourou a bolsa, voltei pra casa e acabei indo para a Unimed por ser mais perto. Eu me envolvi na campanha por ter tido a experiência no Sofia. Fiquei muito comovida vendo profissionais se virando com o que tinham. Eu e meu marido, apaixonamos!”

Fazendo a diferença

Andressa Casseti, da Felice Filmes, disse que as suas experiências de cesáreas a levou a filmar partos. “Tenho dois filhos, nascidos na Maternidade Santa Fé e no Otaviano Neves. O primeiro foi uma cesárea necessária, por um episódio de eclampsia. Como não tinha lembrança deste parto, só o filme, decidi começar a filmar para outras mulheres.” Depois de registrar partos no Sofia conheceu o processo de humanização do nascimento. “Me apaixonei também pela forma que o Sofia trata as mulheres, diferente do tratamento que recebi no nascimento de meus filhos.”

A doula Bel Cristina faz parte da equipe do Instituto Nascer e do Movimento Bem Nascer e, quando convocada por Quésia Vilamil, não pensou duas vezes: “A Quésia teve a ideia de acolher e abraçar o hospital. Gosto do trabalho social. Sou do Movimento Bem Nascer e quisemos chamar atenção para o que está acontecendo no Sofia, resolvi fazer a minha parte.” Bel Cristina ficou responsável pelas redes sociais.

Uma causa nobre

A artesã Zelma Maria da Silva ficou sabendo do Leilão pelo Instagran e se uniu ao grupo, disponibilizando as lembrancinhas oferecidas aos participantes. “Não tenho filhos, mas uma vontade muito grande de tê-los. Acompanho a Quésia há muitos anos, quero ter a oportunidade ser mãe e fazer o acompanhamento com ela. Uma causa muito nobre, meu intuito é ajudar.

A fotógrafa Paula Beltrão teve 3 filhos de parto normal (Enrico, 14, Nina, 9 e Gael, 2 anos) dois no Hospital Vila da Serra e um na Unimed. “Sou fotógrafa de parto, acredito na assistência, no poder da mulher na hora do parto; conheci o Sofia registrando partos de amigas. Estou encantada com a Campanha, além de me trazer muita satisfação e esperança, podemos fazer a diferença, unindo nossas forças; nos ajudar e a uma instituição que precisa de nossa ajuda.”