Sofia realiza o IX Planejamento Estratégico

sexta-feira, 13 de abril de 2018 as 13:43

“É com grande esperança que damos início ao IX Planejamento Estratégico do Hospital Sofia Feldman” declarou a assistente social Gislene Nogueira, ex-funcionária da instituição e uma das organizadoras do encontro, na abertura do evento. Até sábado, trabalhadores, gestores, representantes dos usuários e usuárias, integrantes da Associação de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman – ACAU-HSF e conselheiros estarão debruçados sobre o tema “Resistência, como e até quando”, na Escola de Saúde Pública – ESP, para tratar da sustentabilidade da instituição.

O Planejamento começou com uma mesa-redonda composta pelo presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde – FAIS, Sr. José Moreira Sobrinho, o diretor técnico-administrativo, Dr. Ivo Lopes, da conselheira local de saúde, Mônica Guimarães, Dra. Valma Leite da Cunha, Promotora de Justiça/Promotoria de Fundações, D. Evelina Pereira da Silva, presidente da ACAU-HSF e Tatiana Lopes, da Linha de Políticas Institucionais.

“Como é planejar em um cenário tão desfavorável, em meio a tantas incertezas? Neste contexto tão complicado de desmanche do SUS, pergunto, o que será do povo brasileiro?” Gislene Nogueira citou documento da Prefeitura de Belo Horizonte que aponta que o ‘déficit da instituição é crônico, devido a desarranjos estruturais do SUS’ e afirmou que o nó crítico do Sofia é o sub financiamento e agora o desfinanciamento. Referiu-se, também, à CIB (Comissão Intergestora Tripartite) onde as secretarias Municipal e Estadual propuseram a incorporação de recursos de R$ 1 milhão de reais mensais à instituição, em documento dirigido ao Ministério da Saúde. “Gostaria que essas portarias deliberativas fossem cumpridas”, concluiu.

Isonomia no financiamento

Sr. José Moreira Sobrinho contou um pouco da história do Sofia, que começou em sistema de mutirão há 34 anos. Agradeceu a Dra. Valma por ter sempre zelado pelo Sofia e aos presentes, “pois sem vocês não haveria a chuva de ideias que ocorrem por aqui”.

Dr. Ivo também se reportou à história do Hospital, que reuniu nos seus fundamentos um cristão, José de Souza Sobrinho, um judeu, Dr. Marx Golgher e um comunista, Dr. Ivo Lopes. “Tínhamos opiniões divergentes, o que não impediu em nenhum momento de levarmos a obra adiante. E estamos em crise desde a fundação. Tenho plena compreensão de que vamos superar as dificuldades e  continuar existindo.”

Agradeceu aos trabalhadores de todas as categorias: “Sem vocês não seríamos o que somos hoje. Acentuou que, enquanto outras maternidades recebem R$ 18 mil, 14 mil por um parto, incluindo a Neonatologia, o Sofia recebe R$ 5 mil. Pediu isonomia no financiamento das maternidades”.

Participação social

Em sua simplicidade, Dona Evelina da Silva, representante da comunidade, presidente da ACAU-HSF, colocou-se à disposição do Sofia “para o que der e vier. Resistência sempre”. Mônica Guimarães, do Conselho Local de Saúde, afirmou “estamos juntos nesta resistência” E convidou a todos para fazer a diferença. Terminou sua fala com a palavra de ordem, “Mexeu com o Sofia Mexeu com Todas”.

Tatiana Lopes, da Linha de Políticas Institucionais do Sofia, agradeceu a disponibilidade dos trabalhadores num momento difícil institucionalmente. “O Planejamento veio para discutir questões além do financiamento, o papel do trabalhadores e usuários.” Informou que rodas de conversa e reuniões colegiadas foram realizadas antes do Planejamento. “Viemos pensar em planos de ação, garantir direitos e manter a resistência.”

Responsabilidade da Promotoria

A Promotora de Fundações, Dra. Valma, acostumada a acompanhar diversas fundações, disse que o diferencial do Sofia  “é o calor humano. A humanização permeia todo o Hospital, não só no trato entre a direção e os funcionários como entre os trabalhadores. Senti aqui minha responsabilidade crescer e me pergunto qual o meu papel?” Ela fez um recorte histórico do acompanhamento do Hospital Sofia Feldman, desde 2002 e disse que sabe das dificuldades financeiras e que o problema deriva da defasagem da Tabela SUS. Ela acredita que a instituição tem que buscar os três entes federados e criar mecanismos para minorar as dificuldades. “Viemos unir forças para estas reivindicações.”

Fez questão de afirmar que, “nos últimos anos em que têm trabalhado para o Sofia, nunca vislumbrei qualquer desvio de recursos ou má aplicação. O caminho é do diálogo. Sentar todos os atores de interesse, dar continuidade e lutar pela sustentabilidade do Sofia. Buscar caminhos que possibilitem a durabilidade e continuidade da FAIS.”

O Planejamento continuou na sexta feira, com os seguintes temas: Financiamento do SUS, Gestão e Financiamento no SUS no contexto atual, A qualidade da assistência e o desempenho do Hospital na Rede SUS, O desafio da cogestão no cotidiano do Hospital Sofia Feldman e Fortalecimento e ampliação da participação social para o Hospital Sofia Feldman.