Sofia recebeu profissionais para Aprimoramento em Enfermagem Obstétrica

segunda-feira, 16 de julho de 2018 as 11:52

37208267_1771175096269482_6804734849916600320_o

O Hospital Sofia Feldman recebeu, entre os dias 2 e 14 de julho, seis enfermeiras obstetras, de diferentes regiões do Brasil para o Programa de Aprimoramento do Ministério da Saúde, em parceira com a Escola de Enfermagem da UFMG. As instituições participantes são integradas ao Apice On (Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia).

Laura Leisman de Oliveira veio de Porto Alegre, RS. É trabalhadora do Hospital de Clínicas de Porto Alegre que atende cerca de 350 partos por mês. Ela contou que não atua diretamente na assistência ao parto e por isto vieram para o Sofia Feldman. “Os profissionais daqui são muito receptivos e acolhedores com grande interesse na partilha de informações”, pontuou.

Laura entende que faz parte de um processo em que mudanças são necessárias e que, por isso, foi preciso reconstruir alguns conceitos durante a estadia no Hospital. “Quando voltar será um choque de realidade. Iremos tentar adaptar algumas coisas, mas nossa vivência é bem diferente”, explicou.

Após experimentar a assistência no Sofia Feldman, Laura reconheceu as dificuldades financeiras pela qual passa o Hospital. “Eu me solidarizo com a equipe do Sofia. Realmente as condições estão precárias, quero dar os parabéns porque é esta equipe que mantém o Hospital, mesmo com estas condições. Isto também é aprendizado, não precisamos de grandes tecnologias para humanizar o atendimento”.

Danielle Freitas Oliveira, do Hospital Municipal Universitário de São Bernardo, em São Paulo, comentou sobre a autonomia da enfermagem. Para ela, esta autonomia é muito gratificante, já que em seu cotidiano a assistência é diferente. “Eu partejo com as pacientes, entro nos partos, mas o parto em si é feito pelo médico”. Percebendo o aprimoramento como uma oportunidade de mudanças e de qualificar a assistência ao parto, Danielle conclui que “terão que ter muita conversa e veremos quais os pontos conseguiremos melhorar”.

“Antes a parteira fazia o quê? Hoje, estão usando a banheira, mas a índia fazia como? Na água. Estamos em uma retomada de processo, com novas técnicas, com outra abrangência, outras cabeças”, explicou Alice Carlota, do FMU, Hospital Municipal Universitário de São Paulo.

Alice atua no pronto atendimento, fazendo a triagem das gestantes, mas segundo ela, quem tem autonomia de dizer quem pode ser internada ou não, é o médico. Acredita que os mais jovens vêm abrindo espaço para uma atuação conjunta à enfermagem na assistência ao parto. Outro facilitador de mudanças, para Alice, é a facilidade de acesso à informação: “hoje, com o ‘dr. Google’, as mulheres já chegam informadas, com plano de parto”, contou.

Processo Educativo

Alice Carlota, do FMU, acredita que as transformações devem ser parte de um processo educativo. “Precisamos desconstruir uma visão que está arraigada há muito tempo, fazer com que seja assimilada e começar uma nova fase, não é fácil, porque é um processo de construção da educação”, explicou. Na visão dela, o ato do parto é igual em qualquer lugar do mundo, como uma viagem com o mesmo roteiro. O que muda, é a forma de conduzir, que para Alice, é completamente diferente no Hospital Sofia Feldman. “Todas seguem para o mesmo destino, só que com diferentes maneiras de chegar. O que se vê aqui é a valorização da mulher. Temos que ver o outro como um todo e não como parte. E esta minha visão foi aprimorada aqui, ganhei muito”.

O Hospital PUC Campinas, em são Paulo, assiste a cerca de 200 partos por mês, é um hospital escola e tem residência em enfermagem, mas segundo Vera Lúcia Roque, atua com apenas 10 enfermeiras na área da saúde da mulher e destas, 4 são enfermeiras obstetras, sendo Vera uma delas. Segundo ela, há apoio por parte da diretoria do hospital: “vim porque queremos implantar algo diferente, mas é um processo lento”, contou.

Camila Helena Sula, do Hospital Universitário da USP, em São Paulo, sentiu as diferenças no dia a dia do Sofia Feldman: “no início aqui foi bem difícil, pela diferença de técnica e de protocolo, então estranhei. Depois, fui me adaptando”, explicou.

Camila contou que no hospital que trabalha, há um modelo um pouco mais tecnicista. “Por exemplo, é feito exame de cardiotocografia a cada 2 horas, mesmo nas gestantes de baixo risco. Atendemos as leis, de verdade, respeitamos o direito ao acompanhante, a liberdade da posição de parto”. Para ela, o melhor do Sofia é o capital humano, visto por ela como diferenciado. “Apesar desta tragédia que estão vivendo, são profissionais comprometidos com a instituição e com a população, porque ao que percebi, não houve queda na qualidade da assistência”. Para Camila, este foi o maior aprendizado, entender que é possível fazer muito com poucos recursos.

Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares

Camila Helena ao experimentar as atividades do Núcleo de Terapias, o definiu como “o coração do Sofia”. Ela contou que, em alguns momentos de angústia foram muito bem acolhidas lá.

Por causa de uma dor que sente no quadril, Alice Carlotta foi chamada pela trabalhadora do Núcleo de Terapias Integrativas do Sofia, Wânia Machado, para um escalda-pés. “Achei esta atitude linda, a Vânia fazia massagem nos meus pés e me dizia coisas que, ela nunca tendo me visto, tocou profundamente, comecei a chorar. Elas estão ali para cuidar e sentimos que não é por obrigação”.

Veja as fotos em nosso Facebook.