ACAU comemora 24 anos

quarta-feira, 25 de julho de 2018 as 19:17

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A Associação Comunitária de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman-ACAU/HSF, comemorou ontem, 24 de julho, no auditório Sabiá, 24 anos de parceria com a instituição.
Maria Lúcia Rodrigues, primeira secretária da ACAU, fez a abertura do evento convidando às crianças da Creche José de Souza Sobrinho para uma apresentação musical. Em seguida, a mesa de abertura foi composta, em sua maioria por mulheres. Participaram Evelina Pereira, presidente da ACAU, Marjove Soares, vice-presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde, Tatiana Lopes, diretora da Linha de Políticas Institucionais do HSF, Marília de Oliveira, representante do gestor no Conselho Local de Saúde, Joel Lucas, fundador da ACAU, Luzia de Aguiar, Doula, Mônica Guimarães, presidente do Conselho Local de Saúde.

Histórias da ACAU

Na mesa de abertura, Joel Lucas agradeceu à Marjove os ensinamentos passados durante o período de convivência na instituição e lembrou aos convidados alguns momentos da história da fundação da ACAU. “Lembro do Sindeess gritando em frente ao Hospital, querendo fechá-lo. Havia uma descrença muito grande no Hospital por parte da comunidade, eram momentos terríveis”. Joel contou que, nesta ocasião, a comunidade, devidamente organizada, começou a traçar estratégias para mobilizar a sociedade e manter o Sofia Feldman vivo. “Sabíamos que era o único Hospital desta região periférica que poderia atender o povo daqui, que era isso que o fotógrafo [José de Souza Sobrinho] queria, ver o povo recebendo uma assistência digna”, explicou. Para Joel, a saída era uma entidade que pudesse somar, unir forças ao Hospital, criou-se então a ACAU. Em um momento de reflexão, Joel Lucas expressou tristeza: “a Associação foi criada para revolucionar, ajudar, ser parceira, mas estou triste. Sinto que as finalidades foram desviadas”, desabafou.
Joel explicou que a função da ACAU é defender os direitos dos usuários do Hospital. “Quando pensamos em salvar o Sofia não foi pensando somente em BH, não colocamos fronteira para o atendimento do usuário, não podemos nos calar”.
Mônica Guimarães, agradeceu a parceria entre a ACAU e o Conselho Local de Saúde e ao Joel Lucas pelo resgate histórico. “A história se repete. É preciso mostrar às pessoas a importância dessa luta. A seara é grande e são poucos os ceifeiros”, pontuou.
Para Mônica, os voluntários são abnegados: “são pessoas que abrem mão de momentos em família, do seu conforto, para estar aqui”. Segundo ela, a mesa de abertura estava composta por amigos, parceiros na luta diária pelo Hospital.

Unir Forças

Atual presidente da Associação, Evelina Pereira agradeceu a presença de todos e enfatizou que é preciso unir forças neste momento, em apoio ao Hospital: “tenho fé que este barco não vai afundar, vamos dar as mãos e erguer esta instituição. Precisamos da ajuda de todos vocês”, concluiu.
Luzia de Aguiar tem 81 anos e durante 16 foi Doula no Hospital Sofia Feldman. Voluntária da comunidade, contou que veio ao evento comemorar e rever os amigos que fez ao longo desta trajetória. “Eu parei, mas ainda amo muito este trabalho. O contato que temos com as mulheres as torna como se fossem da nossa família. Temos que comemorar”.
Tatiana Lopes lembrou que o início de sua jornada no Sofia Feldman foi por meio da Associação e comentou a participação comunitária no Hospital. “Somos um conjunto. E a gestão do Sofia é feita dessa forma, em conjunto. Mudamos de 70 para mil partos por mês, nos tornando referência nacional por causa desta participação, por ter a comunidade conosco”, explicou.
Marília Oliveira expressou alegria por ouvir o resgate da história da ACAU e participação da comunidade no Hospital. Ela falou sobre o trabalho diário dos voluntários na instituição e explicou que “a ajuda de custo que recebem jamais poderia ser chamada de pagamento, estes voluntários estão aqui noite e dia, não tenho dúvidas de que o Hospital é esta referência por causa da presença da comunidade”. Para finalizar, fez o convite ao Joel Lucas: “esteja sempre presente, nós precisamos”.
Marjove Soares, vice-presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde –FAIS, lembrou da época em que era diretora da Escola Estadual Professora Francisca Malheiros, localizada no mesmo bairro que o Hospital, Tupi. Segundo ela, havia uma parceria entre a escola e o Hospital. “Quando acontecia algo com os meninos, o Sofia era o lugar mais próximo para nos atender”. Marjove se recordou de algumas mães da comunidade que a procuravam na escola e faziam críticas ao Hospital, ao que reagia: “se eu tivesse alguma dúvida, vinha aqui e procurava pelo Dr. Ivo, que me recebia e abria as portas, me mostrando tudo. Então eu falava para estas mães que eu estava aqui dentro [do Sofia Feldman], e sabia do que estava acontecendo”.
Marjove explicou que quando surgiu a ideia da ACAU, foi bem recebida na instituição e que “junto à Associação floresceu um grupo de pessoas maravilhosas. Tivemos pessoas fortes em uma época que nem a própria comunidade acreditava que o Sofia poderia fazer isto tudo”.
Em resposta à fala de Joel Lucas, Marjove opinou sobre as mudanças em relação ao passado: “perdoe, meu amigo, mas a vida mudou. Se sairmos hoje no peito e na raça, antes de chegar ao outro bairro estaríamos presos, tamanha são as burocracias impostas”.
Relembrando como foi constituído o Hospital Marjove pontuou que “aqueles que começaram junto ao Sofia souberam batalhar, não fizeram para ganhar nada, foi por fé no Sr. José, um homem maravilhoso, que andava pelo bairro todo, porque queria saber o que estava se passando nesta comunidade”.
Marjove reforçou que foi uma construção feita com muita luta e que se orgulha por dizer que hoje o Sofia é um Hospital 100% SUS. Deixou o recado: “não tenham medo, vão com fé, vão com Deus à frente, que tudo dará certo”.
Os voluntários da ACAU estão presentes diariamente no Hospital e realizam atividades como a Ouvidoria, voluntários que registram e encaminham elogios, sugestões e reclamações dos usuários, Amiga da Família, voluntárias que auxiliam no cuidado com o bebê de mulheres com os filhos internados na UCI (Unidade de Cuidado Intermediário), Educadores do Controle de Infecção, voluntários que orientam os familiares de bebês internados na neonatologia quanto à higienização das mãos.

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