Sofia Feldman promove Seminário “Ativando Redes”

sexta-feira, 3 de agosto de 2018 as 17:10

O Hospital Sofia Feldman recebeu, dia 1° de agosto, no auditório Sabiá, cerca de 100 trabalhadores e estudantes da área da saúde para o Seminário “Ativando Redes: Atenção Integral à mulher e bebê em situação de vulnerabilidade no Hospital Sofia Feldman”. O seminário buscou destacar a importância da Rede SUS e do trabalho colaborativo para a garantia da integralidade do cuidado.

A mesa de abertura foi composta exclusivamente por mulheres, Tatiana Coelho, diretora da Linha de Políticas Institucionais; Elizabeth Caetano, assistente social, coordenadora do serviço social do Hospital Sofia Feldman; Érika Dittiz, coordenadora da Terapia Ocupacional e representante da Linha de Ensino e Pesquisa; Sônia Gesteira, médica epidemiologista, assessora da Gerência de Assistência e integrante do Grupo de Trabalho das Gestantes em Situação de vulnerabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte; Fernanda Azeredo, enfermeira, coordenadora da Atenção à Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

Apertando os nós

Tatiana Coelho, na mesa de abertura, reconheceu a importância do seminário, um espaço para estreitar os laços entre os diferentes atores. “Os profissionais discutem muito os casos todos os dias por telefone e, hoje, estamos dentro de uma unidade de serviço de saúde para conversar, isso é muito produtivo”. Sobre o SUS, Tatiana afirmou acreditar que ainda é um Sistema em construção: “mesmo diante das dificuldades, não está acabado”.

A assistente social Elizabeth Caetano explicou que o Serviço Social está diretamente ligado a assistência das mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade. Para ela uma assistência de qualidade, em Rede, requer que “se apertem os nós”. Ela desejou que as trocas realizadas no Seminário possam trazer boas ideias para as situações diárias vivenciadas pelos trabalhadores da saúde.

A terapeuta ocupacional Érika Dittiz levou os participantes a pensarem sobre o que é e como funciona a Rede de atendimento cidadão. “Gosto de pensar como algo que está ali, mas que precisa de ser ativado, se não, não funciona”, explicou. Erika acredita ser necessário o processo de trabalho em análise para que alternativas sejam construídas. “Que possamos ir gestando estas situações, que são reais, para colhermos bons frutos”, afirmou.

Sônia Gesteira agradeceu o convite e parabenizou pela escolha do tema: “este título foi uma ideia muito feliz. Cada profissional, no dia-a-dia, está focado no seu ponto de atuação e há casos em que poderíamos ser acionados e não ficamos sabendo”. Sônia explicou que também por isso, estes espaços de conversa são muito importantes, é possível trabalhar esta ativação da Rede. Sobre o momento vivido no país, Sônia pontuou que “nossa população está empobrecendo a olhos vistos, famílias que há pouco tiveram condições estruturadas foram colocadas em situação de risco”.  Ela finalizou declarando a expectativa de que a tarde fosse proveitosa.

Para Fernanda Azeredo, coordenadora da Atenção à Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde, todo espaço de discussão é sempre um avanço. “Acredito que os micros espaços de discussão são espaços de trocas de experiências e de oportunidades. Que possamos reverter isso em ações para estas mulheres”, afirmou.

Mãe possível

Bárbara Ferreira, coordenadora da Unidade de Acolhimento Transitório Infato-juvenial – serviço que acolhe em regime residencial transitório usuários de álcool e outras drogas indicados pelos Centros de Referência em Saúde Mental Álcool e outras Drogas – da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, ainda de licença maternidade, foi uma das palestrantes do seminário e relatou que sua participação não seria sem emoção, já que a última vez que esteve no Sofia Feldman foi para o nascimento da filha, Helena. “É com alegria e coragem que não recuei em meio à licença maternidade, considerando que fosse uma atitude responsável de minha parte aceitar o desafio de estar aqui hoje”, contou.

Bárbara trouxe aos participantes um texto, segundo ela, com a intenção de causar inquietações nos participantes a partir do tema proposto. Uma carta direcionada às mães vulnerabilizadas, que chamou de “Carta Aberta às Mulheres/Mães Vulnerabilizadas”. Um trecho da carta diz dos ideais, corroborados e divulgados pela mídia, que não condizem com a maternidade real, maternidade esta que escapa às normas sociais impostas. “A gente se vira como pode e faz sempre o que é possível”. Leia a carta na íntegra aqui.

Ela explicou que o convite que foi feito a ela “traz consigo a singularidade de uma experiência, não só profissional, que neste momento talvez seja a menos importante, mas a principal experiência, que é a que carrego no meu corpo de mulher e mãe recém-parida aqui no Sofia”, explicou.

Outra palestrante, Sônia Gesteira, integrante do Grupo de Trabalho das Gestantes em Situação De Vulnerabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, falou sobre as políticas do município de proteção às mulheres. Ela explicou que “hoje, o que nos rege do ponto de vista legal é o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e do ponto de vista profissional, a nossa visão ética”. Sônia contou que a intenção dos gestores desta secretária é estreitar os relacionamentos, se aproximar da Secretaria de Políticas Sociais.

A participante do seminário, Fernanda Brandão, enfermeira do NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família), contou que recebeu o convite da gerente do posto de saúde onde trabalha, no Bairro São Bernardo, para ela “as discussões foram muito produtivas. Vejo algumas questões relacionadas à vulnerabilidade de famílias e às vezes, quando é preciso acionar outros órgãos, ficamos sem saber o que fazer”. Sônia Duarte, técnica de enfermagem do Centro de Saúde Aarão Reis completou: “é fácil falar dos furos do sistema. Na minha dificuldade enquanto mãe, tive ajuda, então consegui ir em frente, mas tenho consciência de que poderia ter sido diferente”.