Sofia Feldman promove 3º Seminário de Aleitamento Materno

sexta-feira, 24 de agosto de 2018 as 19:31

Comemorando o Agosto Dourado e o aniversário de um ano do Banco de Leite, o Hospital Sofia Feldman recebeu cerca de 100 participantes para o 3º Seminário de Aleitamento Materno, no auditório Sabiá, dia 16 de agosto.

Na mesa de abertura do evento o presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde – Hospital Sofia Feldman, José Moreira Sobrinho deu as boas-vindas e parabenizou a coordenadora do Banco de Leite, Cintia Ribeiro, por colocar o aleitamento em evidência. “Muitas vezes o animal irracional tem mais zelo por essa alimentação que o ser humano, a criação não nega o seu leite para a sua criatura. O mundo vai se transformando de tal forma que não há tempo para dar de mamar à criança, não há tempo para nada, principalmente para esse momento que a gente vê a ternura brotando”.

Ivo Lopes, diretor técnico administrativo, lembrou que há um ano, quando da inauguração do Banco de Leite Humano estiveram presentes a primeira dama de Belo Horizonte, Ana Lender, e o prefeito, Alexandre Kalil. Na ocasião, o prefeito prometeu apoiar a unidade. “Ele prometeu um apoio ao Banco de Leite Humano do Hospital Sofia Feldman e que assumiria o compromisso até o fim do seu mandato e, esse mês, tivemos a satisfação de pela primeira vez receber o apoio financeiro do prefeito e da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou.

A médica neonatologista, coordenadora da Unidade de Cuidados Intermediários, Daniela Castro, reforçou a importância do Banco de Leite no atendimento aos bebês de risco atendidos na Neonatologia. “Sem o Banco não conseguiríamos garantir o leite humano pasteurizado para os nossos prematuros e, hoje, a gente consegue esse leite para todos de até 34 semanas e com isso, melhoramos a qualidade de vida dos prematuros, diminuímos o tempo de internação e diminui o risco de enterocolite”, afirmou.

Apoio e muito amor para amamentar

Ana Paula Vallerini, referência técnica da enfermagem do Hospital Sofia Feldman, pediu licença para falar não como responsável técnica, mas como mãe, uma mãe enfermeira obstetra que amamentou até o sexto mês exclusivamente. Ana lembrou que não foi fácil, como profissional, ajudando as mulheres na parte teórica, disse acreditar que amamentar seria algo simples e tranquilo, bastando apenas boa vontade para dar certo. “Quando vivenciei na prática, vi que não era só isso. Precisa ter muita dedicação, muito conhecimento, muito amor, para conseguir. Amamentei minha filha até um ano e três meses, foi algo divino, mas tirei um pouco da cabeça aquilo que eu achava, que era a coisa mais fácil do mundo”, afirmou. Ana Paula reforçou que é preciso muito apoio, familiar, dos profissionais de saúde, mesmo para aquelas mulheres que são trabalhadoras da área da saúde. Para ela, o que garantiu o sucesso na amamentação foi pensar nos benefícios que traria para a filha, ver o crescimento saudável, e tudo de positivo que ela conseguiria dar.

Ariane Matos, Consultora Técnica da Área da Saúde da Criança e Aleitamento Materno, do Ministério da Saúde, comentou que vir ao Sofia é ver as ações propostas pelo Ministério acontecerem “na ponta” e perceber a aplicação feita de maneira eficiente. “Precisamos fortalecer nossas ações e acreditar nelas. É só olhar para esse público, aqui a casa sempre está cheia”.

Karla Caldeira, coordenadora da Atenção à Saúde da Mulher e da Criança, da Secretaria Estadual de Saúde de MG, cumprimentou a todas e todos em especial a ex-colega de trabalho, presente no Seminário, Fátima, com quem Karla disse ter aprendido muito sobre aleitamento materno. Lembrou que, mesmo sendo uma profissional de saúde, teve dificuldades para amamentar e teve colegas que auxiliaram. “Acaba sendo um ciclo, um dia a gente ajuda e no outro é ajudado”.

Karla afirmou que, se fosse possível, teria um Sofia em cada canto do estado, que é muito grande e, segundo ela, é preciso melhorar muitos pontos quando o assunto é aleitamento. Reconhecer os avanços é importante. “Este agosto vem para a gente comemorar e reconhecer os benefícios e avanços que já tivemos”.

Semente plantada

João Aprígio, coordenador da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano, da FIOCRUZ, destacou duas palavras: parabéns e obrigado. “Obrigado pela oportunidade de participar. Endosso as palavras de todos em relação ao trabalho que o Sofia desenvolve, sei muito bem o que significa fazer um esforço que é contra hegemônico”. João lembrou que trabalhar nesta perspectiva não é simples e que inúmeras barreiras são enfrentadas todos os dias. Numa retrospectiva, brincou: “a amamentação existe mesmo antes da internet, ainda que os mais jovens não acreditem”. Comentou sobre um artigo publicado no início da década de 80, dizendo que o Brasil perdia 180 milhões de litros de leite humano por ano, dos 300 milhões passíveis de serem produzidos. Tal artigo motivou um movimento na Universidade Federal de Viçosa, e fez com que começassem a trabalhar na perspectiva de desenvolvimento de tecnologias alternativas, segundo ele, absolutamente na contramão do que todos faziam. “Construí uma onda contra hegemônica que permitiu que o Brasil, a partir daquela semente, plantada em Minas Gerais, construísse a maior e mais complexa rede de Bancos de Leite”. João Aprígio afirmou que a FIOCRUZ, assim como o Sofia Feldman, é uma casa onde é possível sonhar, mas também realizar. Deixou uma palavra-chave para reflexão: resiliência.

Na abertura, as crianças da Creche José de Souza Sobrinho, do Hospital, cantaram a canção escrita por Cintia Ribeiro, enfermeira obstetra coordenadora do Banco de Leite, com o tema da Semana Mundial de Aleitamento: “Amamentação é a base da vida”. Cintia lembrou a todos que “esta creche existe para garantir o direito da mulher trabalhadora, de estar próxima do filho, de poder amamentar”. Ela disse que toda oportunidade de crescimento na instituição foi movida pela experiência pessoal como mãe. “Tenho orgulho de trabalhar nesta instituição, sou uma mãe que teve a oportunidade de trabalhar e estar próxima dos filhos”.

Amamentação e o desenvolvimento infantil

A dentista, subcoordenadora do mestrado profissional em odontologia em saúde pública da FOUFMG, Lívia Zina, contou como o aleitamento materno pode, positivamente, influenciar no desenvolvimento orofacial da criança. Após apresentar fotografias de mulheres amamentando os filhos com dois anos ou mais, Lívia apresentou evidencias científicas de que quanto maior o tempo de amamentação, menos possibilidades de prejuízos no desenvolvimento oral e facial da criança irão ocorrer. Segundo ela, o movimento que a criança faz ao mamar, traz a mandíbula para a frente, coisa que é impossível com a mamadeira. Além do posicionamento correto da língua, quando no peito, a língua vai para o céu da boca, movimento feito para sair o leite, na mamadeira, este padrão é invertido e a língua vai para baixo. “Neste caso, entra ar e é possível respirar pela boca, ao desmamar precocemente, há o risco da criança se tornar um respirador bucal, o que pode ocasionar rinite, sinusite”.

Sobre a chupeta e seus designers modernos, Lívia orientou: “é tudo balela. Todos os bicos são fatores de risco e a chance de desenvolver má-oclusão [quando os dentes não fecham corretamente e pode indicar necessidade de utilizar aparelho] é muito grande”.

Lívia destacou que além das questões fisiológicas a amamentação traz algo que a chupeta ou a mamadeira não podem dar: a relação psicoafetiva. “Criança precisa de contato com a mãe. Além de todas as vantagens do aleitamento, temos mais este motivo”.

Hospital Amigo da Criança

Coordenadora da Atenção à Saúde das Mulheres e Crianças, da Secretaria do Estado de Minas Gerais, Karla Caldeira explicou a Iniciativa Hospital Amigo da Criança e como ela acontece. Ao cumprir os Dez Passos Para o Sucesso do Aleitamento Materno, instituídos pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o hospital obtém o título de Amigo da Criança, concedido pelo Ministério da saúde. “Sabemos da importância de se ter um Hospital Amigo da Criança. É garantia de um início de vida muito mais saudável”.

Karla lembrou a todos que o trabalho em equipe é fundamental para que se alcance o selo. “Toda a equipe deve estar capacitada. Se você faz a sua parte, mas seu colega não sabe do que você está falando, ele põe tudo a perder”.

Ao encerrar a apresentação, Karla trouxe uma reflexão: “o recém-nascido tem apenas três necessidades essenciais: o calor dos braços maternos, a certeza da presença materna e o leite de seus seios: o aleitamento materno satisfaz todas as três necessidades”, Clark, 1984.

“Potinhos dourados” foram distribuídos aos participantes do evento. A organizadora do evento, Cintia Ribeiro contou que a ideia é fazer com que as pessoas possam refletir sobre a importância da gratidão, humildade e sabedoria, “são imprescindíveis para a vida. No potinho, a pessoa coloca diariamente as coisas boas que acontecem com ela e, se um dia não estiver muito bem, é só ler o que tem no pote e relembrar as coisas boas”.