Sofia recebe trabalhadores de El Salvador e Moçambique para a Capacitação

terça-feira, 28 de agosto de 2018 as 14:25

O Hospital Sofia Feldman recebeu nesta segunda-feira, 26 de agosto, um grupo de profissionais e gestores de saúde de El Salvador e Moçambique para a Capacitação “Vivenciando Tecnologias na Atenção à mulher e ao recém-nascido no Hospital Sofia Feldman”. A capacitação busca favorecer a vivência de estratégias assistenciais das boas práticas na atenção e as discussões para a implantação dos métodos no hospital de origem. Promoção da Agência de Cooperação Internacional do Japão – Jica.

Na cerimônia de abertura, as boas-vindas foram dadas em uma apresentação de Balé das Golfinhas e Ararinha Azuis, meninas de 4 e 5 anos, da Creche José de Souza Sobrinho, que atende filhos e filhas de trabalhadoras e trabalhadores do Sofia.

Participação comunitária

A participação do Hospital Sofia Feldman em espaços favorecedores de trocas de experiências e vivências é vista pelo presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde – FAIS, mantenedora do Hospital como fundamental. “O Sofia vem de um esforço comunitário, dos vicentinos, em dar uma resposta à aflição das pessoas da periferia, dos mais pobres, vem praticando a humanização de uma maneira mais prática e usando dessa prática mais acessível com a população necessitada, a humanização acontece mais fácil aqui dentro. O Ministério da Saúde tem procurado difundir essas ideias através do Sofia, tendo sido chamado a levar esse conhecimento para o Brasil inteiro”, afirmou Sr. José Moreira Sobrinho, presidente da FAIS. Alertou ainda os participantes de que o Hospital tem características muito particulares, ”uma delas é ter a comunidade com poder de mando por meio da Associação de usuários do Hospital. Deixo claro essas particularidades porque vocês irão permanecer aqui por um certo tempo e verão o trânsito da comunidade aqui dentro é muito grande e com certo poder de interferir na administração”.

Para Dr. Ivo Lopes, diretor técnico e administrativo do Hospital, receber os profissionais para a troca de vivências na assistência à mulher e ao recém-nascido, com o apoio da JICA, que há anos desenvolve uma parceria de cooperação, é de suma importância. Lembrou que uma profissional da enfermagem obstétrica, Pollyana Mourão, esteve em um encontro que tratou da assistência materno e infantil em El Salvador. “Não posso deixar de citar que tivemos profissionais nossos em Moçambique, aqui também presente, e que todo esse entrosamento é uma política da JICA, que faz com que todos nós cresçamos como profissionais e seres humanos” e finalizou: “Pelo que sei a maternidade de vocês é uma grande maternidade em El Salvador, a gente aqui no Brasil, é uma grande maternidade, em que 80% partos vaginais [normais] são assistidos pela enfermagem obstétrica e cesáreas [realizadas pela equipe médica] representa 25% do total de partos”.

Qualificação profissional

Dra. Lélia Maria Madeira, coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa, agradeceu a presença da comunidade no evento. Reforçou que o ensino está no Sofia desde a sua criação. “Nós investindo na educação ao longo de todos estes anos, tanto na formação para o Brasil quanto internacionalmente, principalmente com a colaboração da JICA”. Lélia explicou os programas de residência do Sofia e destacou que este processo de formação de recursos humanos de profissionais é fundamental para a mudança de qualquer modelo assistencial. “Para melhoria da qualidade da assistência, você tem que investir e inserir profissionais qualificados”.

Karla Caldeira, coordenadora da Atenção à Saúde da Mulher e da Criança da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, desejou aos participantes do curso que aproveitem o conhecimento emitido pela instituição “que é a maior instituição em número de partos do nosso estado, que apoia não só as pessoas de BH, como também as de vários outros municípios que compõem nosso estado”. Karla enfatizou que o Sofia é uma grande escola e que fica orgulhosa em ter feito parte da equipe.

Emi Sasakaua, da universidade de Tókio e referência técnica da JICA, agradeceu a oportunidade de aprender com a experiência da equipe do Sofia Feldman. “Nós planejamos esta viagem há certos anos, então hoje chegamos com profissionais do Hospital Nacional de La Mujer, de El Salvador, que a cada ano atendem cerca de doze mil partos”. Emi explicou que este é o primeiro grupo a participar do curso, e que mais três ainda participarão.

Sr. Sato, representante sênior da JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão, disse acreditar que não é o protagonista neste curso e sim, os trabalhadores participantes. “Vocês são as pessoas que oferecem os serviços ao povo, não só o Brasil, mas também em El Salvador, Moçambique”. Sato contou que está muito contente em presenciar o evento como sub-diretor da JICA no Brasil e como ex sub-diretor da JICA em El Salvador. “Temos trabalhado há vários anos com o Hospital Sofia Feldman, podendo apoiar este trabalho que é especialmente para mulheres”

Garantia de direitos

As responsáveis pela Creche José de Souza Sobrinho e o Banco de Leite Humanos do Hospital Sofia Feldman, Luciana Paula e Cintia Ribeiro disseram brevemente dos dois cuidados. “A creche existe como garantia de direitos. Direitos da mulher trabalhadora, direitos nacionais, estão na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Seria incoerente uma maternidade com mais de 80% de mulheres, não ter o direito garantido a estas mulheres”, enfatizou Luciana Paula e completou que além disso, garante o direito da criança, de se desenvolver em um ambiente saudável, e principalmente, de manter o vínculo com a mãe e/ou o pai.

Cintia Ribeiro explicou que o Sofia Feldman é um Hospital Amigo da Criança e protege o aleitamento materno. Comemorando o Agosto Dourado e o primeiro aniversário do Banco de Leite, Cintia lembrou que o objetivo é que as crianças da neonatologia recebam o alimento mais completo, o leite humano pasteurizado. Ela entregou e explicou o significado do laço Dourado.