COREN realiza homenagem ao Sofia Feldman

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 as 16:45

O Hospital Sofia Feldman recebeu no dia 5 de fevereiro a visita de profissionais do Conselho Regional de Enfermagem – COREN, eles se reuniram no auditório Sabiá com trabalhadores da instituição.

O Conselho, em novembro do ano passado, homenageou o Sofia Feldman no 21º Congresso Brasileiro de Enfermagem e trouxe à instituição as memórias desta manifestação e apoio ao Hospital. “O Sofia é o colo, é aqui que tudo se inicia. Foi uma homenagem simples, mas de coração, a gente quis mostrar para o Brasil que nós apoiamos vocês. Vocês são muito importantes para nós”, contou Carla Silva, presidente do COREN.

Carla  relembrou a experiência de parto vivida por ela. “Fui vítima da violência obstétrica. Queria muito que naquela época, naquele hospital, eu tivesse a assistência que vocês dão à mulher aqui”.

Carla falou sobre a atual situação financeira do Sofia Feldman e do apoio do COREN-MG à instituição. “Eu sei que vocês estão se reerguendo, num momento muito difícil. Nós sabemos a importância do Sofia ”, disse.

Sobre a enfermagem, Carla destacou que são profissionais que sabem acolher, conversar, “que não veem a mãe como só mais uma estatística”, explicou.

Vera Bonazzi, Responsável Técnica de Enfermagem do Hospital Sofia Feldman, durante a reunião falou sobra a sua participação na homenagem realizada pelo COREN no Congresso. “Foi muito emocionante, eu entrei junto e foi num momento em que estávamos muito fragilizados.  Me deu uma força, enquanto enfermeira obstetra, responsável técnica e que ama esta casa mais do que tudo”.

Humanização da Assistência

Presidente da Fundação mantenedora do Hospital Sofia Feldman, José Moreira Sobrinho explicou que a humanização é um assunto muito falado hoje e que no Sofia sempre existiu um ambiente favorável para este tema. “O Ivo [Lopes, diretor administrativo do Hospital] sempre teve umas ideias muito avançadas e uma delas foi deixar o acompanhante entrar, participar do parto. Além disso, ele tem uma visão, dizendo na linguagem dele, do empoderamento das enfermeiras”, explicou.

Sr. José contou a experiência, enquanto pai, no nascimento do primeiro filho: “tinha uma cancela na entrada do hospital, minha esposa passou e me disseram: agora você pode deixar conosco, o senhor pode ir para casa. E eu fui embora naquela aflição, nem dormi aquela noite”. Para ele, a origem do Sofia Feldman é um dos motivos de ser esta referência em humanização. “Quando esse Hospital foi criado a intenção era atender as pessoas que não tinham acesso à saúde. Isso também ajudou a ter aqui este ambiente favorável à humanização”.

Tatiana Coelho, da Linha de Políticas Institucionais, falou da importância do apoio do Conselho ao Sofia Feldman. “A presença de vocês traz o comprometimento que o Conselho tem com a instituição”. Ela contou que no Sofia Feldman há um reconhecimento de todas as profissões. “Não é à toa que temos destaque, aqui há profissionais de todas as áreas envolvidos na gestão”, explicou.

Tatiana contou que um dos principais desafios hoje na instituição é a retomada dos leitos neonatais, que foram fechados no decorrer do ano passado. Para ela, a participação da enfermagem neste processo é fundamental: “acredito que vamos conseguir retomar os leitos com o apoio de toda a equipe, mas a enfermagem é o eixo principal do cuidado, tanto na obstetrícia como na neonatologia”, explicou.

A gestora agradeceu aos trabalhadores pelo empenho e dedicação durantes estes momentos de dificuldade vividos. “Agradeço pelo comprometimento, porque 2018 não foi fácil. Agora vamos nos dedicar para retomar o que a gente sempre teve de uma forma que a gente consiga sobreviver, temos que retomar os leitos neonatais com a qualidade que a gente preza”.

Farley Sindeaux, enfermeiro fiscal e representante pelo COREN no Conselho Estadual de Saúde explicou a todas e todos a importância da participação popular e do debate fora do âmbito institucional. “Chamo a todos para estarem atentos ao calendário da 16ª Conferência Nacional de Saúde, que acontecerá este ano.  Às vezes a gente deixa passar o momento tão oportuno do debate que precisa ser para toda a sociedade”.

Colo da Enfermagem

Mateus Marcelino, enfermeiro obstetra e conselheiro do COREN, contou aos participantes que sua especialização em enfermagem obstétrica foi no Sofia Feldman e brincou que a instituição não é o berço, mas sim o colo da enfermagem. “O grande diferencial do Sofia é ser um Hospital que preza por seguir as melhores evidências científicas. O Sofia é sempre um lugar inovador”, explicou.

Para Mateus, a comunidade precisa do Sofia Feldman. “Não falo só a comunidade de Belo Horizonte. Sabidamente o estado não tem leitos suficientes para fechar 15 leitos de neonatologia no Sofia. E qual será a estratégia do estado? ”, questionou.

Mateus enfatizou que ser colo da enfermagem obstétrica, berço das evidências científicas, é para a comunidade que é atendida na instituição, “seja de BH, do estado ou de qualquer lugar. Estamos juntos nessa luta”.

Lélia Madeira, coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa do Hospital, comentou sobre o simbolismo que Mateus trouxe ao dizer que o Sofia é o colo da enfermagem. “Também precisamos e temos recebido colo”. Ela trouxe à tona uma questão: como o Sofia chegou até aqui, mesmo com tão poucos recursos? Para Lélia, foram as parcerias estabelecidas pela instituição que possibilitaram o caminhar. “Nós conseguimos grandes parcerias e conseguimos deles excelentes interlocutores” explicou.

O que a gente fez para que esta equipe seja tão empoderada? perguntou Lélia aos trabalhadores presentes. “Salta aos olhos, a autonomia, a capacidade técnica do pessoal”.  Segundo ela, a humanização não se trata apenas de carinho com o usuário, mas sim de uma assistência de qualidade, baseada nas evidências científicas. “Isso faz parte, mas a gente é referência na humanização principalmente porque tem uma sustentação científica baseada nas evidências, e eu fico orgulhosa com esse processo de formação, aqui a gente preza por isto”, concluiu.