Sofia realiza 2ª Conferência Local de Saúde

sexta-feira, 5 de abril de 2019 as 18:17

O Sofia recebeu no dia 28 de março, de 8 às 14 horas, conselheiros, usuários, trabalhadores e gestores da saúde para a 2ª Conferência Local “Democracia e saúde: saúde como direito, consolidação e financiamento do SUS”.

Mônica Martins Guimarães, presidenta do Conselho Local, destacou que esta “vem com o tom da 8ª Conferência Nacional, que é de garantia de direitos e da democracia. Por este motivo tem um peso social muito grande. Que as pessoas tenham consciência desse momento político e exerçam a cidadania”, afirmou.

A presidenta do Conselho Municipal de Saúde, Carla Anunciatta, enfatizou que esta Conferência é crucial, em um momento em que existe um processo de desmonte do Sistema Único de Saúde. “Toda a Rede que temos hoje, foi constituída com muita luta, do povo, dos usuários, dos trabalhadores e dos gestores comprometidos com uma saúde de qualidade. Estamos na luta para garantir o SUS, o acesso com qualidade, 100% público, universal”, concluiu.

A mesa de abertura do evento foi composta pela presidente da Associação de Amigos e Usuários do Hospital Sofia Feldman – ACAU, Evelina Pereira, pelo representante dos nove conselhos distritais de saúde de BH, José Geraldo da Cruz, pela presidente do Conselho Local, Mônica Guimarães, pela representante do Conselho estadual de saúde de Minas gerais, Lourdes Aparecida Machado, pela presidente do Conselho Municipal de Saúde, Carla Anunciatta, pelo presidente da Fundação de assistência Integral à Saúde – FAIS, José Moreira Sobrinho, pela diretora da Linha de Políticas Institucionais do Hospital, Tatiana Coelho e pela coordenadora geral do Ministério da Saúde, Lili Fagundes.

Falar de SUS é falar de democracia

Lourdes Machado, representante do Conselho estadual de saúde de Minas gerais, na mesa de abertura, lembrou a todos que “este é um cenário de muita resistência, porque sabemos que não existe tanto compromisso com o SUS como existia há um tempo. A gente percebe a cada dia o SUS sendo desmontado e atacado”, afirmou. Para ela, o tema desta conferência vem reforçar que “para falar de saúde temos que falar de democracia” e explicou que o SUS é a maior política social do estado: “a gente não consegue falar de um plano de saúde que atende a 75% dos brasileiros e brasileiras como um plano de saúde e 100% à população, se a gente não falar num estado democrático”.

Carla Anunciatta, presidente do Conselho Municipal de Saúde, afirmou que defende o Sofia Feldman porque acredita no modelo assistencial, “é um modelo que nós, conselheiras, profissionais de saúde, usuários, todos os cidadãos, mulheres, movimentos de mulheres, acreditamos ser, na atenção à saúde da mulher e da criança, único. É referência mundial, centrado no protagonismo da mulher. Nós mulheres sempre fomos excluídas dos espaços de poder e dos espaços de fala”, ressaltou. Carla reforçou que o Conselho sempre está à disposição para lutar pelas causas nobres do SUS.

José Moreira Sobrinho, presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde, relembrou tempos vividos por ele, em que o cidadão não tinha direito à saúde. “Se colocasse uma pessoa na rádio patrulha [naquela época, José Moreira era comandante de guarnição de rádio patrulha] para levar para ser atendido, ninguém atendia, porque não tinha a carteira assinada”, lembrou. Sr. José acredita que hoje, apesar das dificuldades, existe um esforço dos governantes para manter o Sistema: “temos que agradecer”. Ele finalizou com uma mensagem de esperança: “não precisamos ficar apreensivos, vamos conseguir ter uma saúde melhor”.

Situação financeira

Tatiana Coelho, gestora, representante da Linha de Políticas Institucionais do Hospital Sofia Feldman, aproveitou o momento para contar um pouco da situação atual do Hospital. Ela lembrou que, com o fechamento dos leitos de UTI neonatal no ano passado, a instituição recorreu ao apoio dos gestores Municipal, Estadual e Federal, “para batalhar por um financiamento adequado. Conseguimos o aporte de 500 mil do governo federal, não é tudo que pleiteamos, mas é um financiamento a mais”, explicou.

Tatiana apontou que a crise fez com que vários trabalhadores deixassem a instituição, e agora, com a situação mais estável, irá contratar profissionais para a equipe médica e de enfermagem com o objetivo de reabrir os leitos neonatais. “Com isso, conseguimos reabrir 7 leitos de UTI e estamos trabalhando para conseguir reabrir outra unidade com 13 leitos, para possibilitar a volta do atendimento pleno à Belo Horizonte e interior, porque somos referência para mais de 300 municípios mineiros”, completou. Entendendo a importância do Hospital Sofia Feldman para o estado de Minas Gerais, segundo Tatiana, a instituição irá batalhar para conseguir o aumento do aporte na gestão compartilhada junto ao estado.

Lili Fagundes, coordenadora geral do Ministério da Saúde, contou da alegria em participar do evento. “Minha alegria aumentou quando a Tatiana contou que houve alguns avanços, algumas conquistas e isso é muito importante para gente”. Lili parabenizou o Sofia Feldman pela realização do trabalho de forma humanizada. “Nessa caminhada eu vejo que o trabalho humanitário não se perdeu e isso faz toda a diferença no atendimento no SUS”. Ela enfatizou que o Ministério da Saúde está sempre à disposição para contribuir.

As crianças da turma dos Golfinhos, da Creche do Hospital, José de Souza Sobrinho, apresentaram uma canção, trazendo à reflexão como cada um de nós pode contribuir na sociedade. Logo após, o educador físico Leandro Vieira, do Programa Sofia Em Forma, realizou uma sessão de alongamento e, animados, os participantes acabaram dançando uma música.

O representante dos usuários, Edson dos Santos, fez a leitura do regimento interno da 2ª Conferência Local de Saúde, posteriormente aprovada por todos.

Willer Marcos Ferreira, conselheiro distrital e municipal de BH, apresentou a história da saúde no país e de como se consolidou o SUS, lembrando momentos de muita luta popular em que ele e a colega Carla Anunciatta fizeram parte.

A pediatra, coordenadora do Movimento Sentidos do Nascer, Sônia Lansky, falou aos participantes sobre o modelo de assistência ao parto e nascimento no Brasil  e seus principais desafios e impactos na saúde materno infantil.

Três grupos foram formados para discussão dos temas, “saúde como direito”, “consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde” e “financiamento adequado e suficiente para o SUS”, com a finalidade de definir as propostas e as prioridades da saúde que serão levadas à 9ª Conferência Estadual de Saúde (=8ª+1).