Acesso e resolutividade no cuidado

terça-feira, 16 de abril de 2019 as 12:39

O Hospital Sofia Feldman, mais uma vez, sai à frente na qualificação e na instrumentalização de profissionais da enfermagem para garantir o acesso e a qualificação do cuidado às mulheres. Nesse mês, teve início, em parceria com os Conselhos Federal e Regional de Enfermagem (Cofen e Coren), as Associações Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (nacional e seccional de Minas Gerais), a primeira turma do Curso de Capacitação em Práticas Avançadas para Enfermeiro Obstétrico: Ênfase em Ultrassonografia Obstétrica.

O coordenador da Comissão Nacional de Saúde da Mulher do Cofen, Herdyr Alves, afirma que o órgão reconhece a iniciativa como um instrumento que possibilita o cuidado em enfermagem a partir da Sistematização da Assistência em Enfermagem (SAE), que permite olhar o cuidado e ampliá-lo. Herdyr ressalta sobre a necessidade de se “pensar as regulações que vão sustentar a utilização do ultrassom como instrumento para o cuidado mais qualificado e mais seguro na consulta de enfermagem”.

Para a Abenfo Nacional, assim como para Conselho Federal, o curso é uma forma de instrumentalizar a enfermagem para a ampliação do acesso ao cuidado mais qualificado e prioritário de políticas públicas. “Podemos nos instrumentalizar para ampliar a cobertura, o acesso e dar resolutividade no cuidado. Por favor, vocês não serão enfermeiras ultrassonografistas”. Kleyde Ventura, presidente da Abenfo Nacional, ressalta às enfermeiras participantes do curso: “vocês estão se instrumentalizando para fazer a enfermagem avançar no cuidado, para reduzir morbidade materna, fetal e neonatal”.

Torcata Amorim, representante da Abenfo MG, disse que o curso é importante pra enfermagem obstétrica e muito significativo para a enfermagem de um modo geral.  Ela acredita que avançar não será tarefa fácil, mas possível. “Vamos conseguir avançar, graças a nós que estamos trabalhando, inovando, apresentando evidências científicas”. Completa: “o curso é muito importante, não só para a enfermagem, mas, e principalmente, para a qualidade e o acesso à  assistência. Para um país como o nosso, com tantas diferenças, é mais uma porta que se abre”, afirmou.

Uma das responsáveis técnica da enfermagem do Sofia, Vera Bonazzi, ressalta que este é um momento para se lançar. “Esse é um projeto piloto e que acreditamos ser possível avançarmos, por isso queríamos vivenciar internamente e pensar como avançaremos no futuro”, afirmou.

A coordenadora da Linha de Ensino e Pesquisa, Lélia Madeira, apontou a importância dos avanços na assistência e que é característica da enfermagem, os muitos desafios”.  Revelou que foi no Sofia onde aprendeu a enfrentar desafios. “Dr. Ivo foi nos ensinando que a vida é feita para ser vivida e os desafios são feitos para serem superados. A Linha de Ensino e Pesquisa está aqui para dar todo o apoio e o que queremos é avançar mesmo”, finalizou.

Ivo Lopes, diretor técnico e administrativo do hospital, agradeceu a cada enfermeira que acredita nesta aposta [o Curso], que é do Cofen, da Abenfo. “Precisamos e tivemos coragem porque tivemos e temos o apoio deles”, afirmou. Agradeceu também às três enfermeiras obstétricas, primeiras participantes do curso, a quem chamou de “corajosas” e explicou que “não vai ser fácil”. Ele contou que o Conselho Regional de Medicina esteve na instituição e verificou se esta conduta obedece à legislação. “Precisamos de vocês, que vocês acreditem nos seus colegas e podem ter certeza que nesses cinco anos todos eles fizeram o máximo que podiam fazer e hoje eu tenho plena segurança do que estamos aprovando aqui”, enfatizou.

Por que aceitaram o desafio?

Compõem a primeira turma Íbera Chaves, Jéssica Ferreira e Helen Gandra. Para ambas é importante lembrar que vieram de uma residência no Sofia, onde existe um modelo de assistência que reconhece a importância do enfermeiro obstetra atuando na questão do ultrassom. “Tivemos a oportunidade de passar pelo ultrassom e sabemos da importância no dia a dia da atuação da enfermagem obstétrica. Sabemos que será um desafio com grandes barreiras para serem vencidas, mas acreditamos que é uma sementinha que vai ser plantada e que deve gerar frutos, e gerar um modelo de assistência obstétrica diferenciado para o país”, afirmou Chaves.

Perguntadas sobre os benefícios para a mulher, afirmam que no contexto de acesso a um serviço, essa instituição que é 100% SUS, na medida que disponibiliza serviços com outros profissionais, garante o acesso a essa população. “Pensando no contexto do SUS é um primeiro ponto de partida, é a gente realmente garantindo serviços em uma instituição totalmente voltada para o SUS”, ressaltou Jéssica Ferreira.

Para Helen Gandra, pensar a partir de uma instituição que tem majoritariamente (90%) enfermeiras obstétricas atuando, então por que não enfermeiras obstétricas seguir esse modelo de ultrassom? “É uma proposta desafiadora, interessante e no Sofia, a gente já tem esse serviço, e sabemos o quanto dá certo e que sejamos multiplicadoras”, afirmou Gandra.